sexta-feira, 26 de março de 2010

Garota da vitrine

A madrugada é fria
e um filme sem graça
me faz chorar.

Penso em tanta coisa
e não consigo decidir nada.
Talvez aí esteja alguma graça
na minha vida.

Alguma graça
na minha vida...

Alguma graça
na minha vida?

(Adio dias
que deveria
passar estudando
para algum concurso.)

Fico perambulando no quarto
de paredes brancas irritantes
com os olhos secos e miúdos
e não me sinto grande.

Há de haver um dia
que a ansiedade
(do dia que não houve)
me deixe em paz.

O verbo haver me persegue
no futuro de um pretérito
do planeta que só eu imagino.

Devaneio devagar demorado e dolorido
no meu epicurismo libertador.
Libertador!
Libertar a dor e ser feliz.
Balela!

A vida é bela
para quem tem dúvidas
e não dívidas.

A madrugada é fria
e como chocolate.



Ígor Andrade

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3 comentários:

sarah disse...

Adorei,

da vitrine vemos coisas que as vezes se passam em nossa própria vida mas não queremos enxergar !
é preciso ter sensibilidade nas coisas.

adorei :]
ótimo final de semana pra você !

Marcelino disse...

Não consegui sacar o título; mas o texto, independente disso, é genial, porque dá pra ler a maioria das estrofes como se fossem textos individuais, embora componham um quadro único.

S.L. disse...

Assistimos ao mesmo filme e, no mesmo momento, lágrimas rolaram. Os personagens, a distancia, pensam, ao mesmo tempo, um no outro. É a vida viva. Beijo meu.