sábado, 21 de novembro de 2009

Vigília

O meu caos
é um cão
cuidadoso.



Ígor Andrade

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Vivente

Levo uma vida
dessa vida que vivo.
Estou vivo
como nunca.

Não procuro entender as pessoas
procuro as pessoas que me entendam.
Isto me faz entender este universo
de compreensão complicada.

Numa hora
sou princípio tranquilo
no minuto seguinte
alma agoniada.

Sou o ser que é
e que deseja ser
o que nunca será.
Isso sempre foi a minha verdadeira força criadora!

Vida minha
que parece cinema mudo
e eu faço de tudo
no silêncio engraçado e libertador.

Eu sei que existe uma Pasárgada
próxima daqui
e eu vou conseguir
porque algo acaba sempre
dando certo no final.



Ígor Andrade

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Largada

Tenho pressa
porque o tempo passa
e eu não passo
de falta de calma
que pára
na vontade de correr.



Ígor Andrade

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A última confissão ou o primeiro desabafo.

Eu preciso dizer que te amo
antes que você precise dizer
que não me ama mais.



Ígor Andrade

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Atravesso

Rua vazia
do eu cheio
sorrir.



Ígor Andrade

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Amanhã seu

A manhã é minha
enquanto meu sonho é grande
porque o meu sono é curto
e antes que acabe o mundo
tudo é meu.

A manhã é minha
não quero mais nada.



Ígor Andrade

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domingo, 15 de novembro de 2009

Conflito

Sem a paz do ovo
um bem-te-vi me visita
na janela de novo.



Ígor Andrade

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Acontecer

Estou bem
não como antes
mas com uma paz estranha
que arranha o silêncio.

Estou além
do que imaginava
como se imaginação fosse tudo
para eu não enlouquecer.



Ígor Andrade

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sábado, 14 de novembro de 2009

Agridoce

Me leram no Iraque!

Meus poemas meio desorientados
no oriente médio...

(Minha poesia mediterrânea
salva tanto quanto Alá.)

Sou um deserto invadido agora
de certo pela paz
dos versos áridos
em terra prometida.

Sem arma, sem petróleo e sem guerra
sinto o gosto das tâmaras
numa tarde calma
que não vivi.



Ígor Andrade

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Avenida Beira-Mar


Na beira-mar
reaprendi a andar
(reaprendi a amar)
beiro a serenidade
no salgado cheiro do ar.

As pernas doem mais que o peito
e vejo muito mais além da minha miopia.

Meu estado
é um litoral calmo
de vida preservada
de ida e volta
alimentada por um desejo único
de conseguir.

As ondas que quebram perto
sou eu longe daqui.



Ígor Andrade

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Corrida

Corro
corro
corro

(não mato
e nem morro)

estou vivo
uma hora dessa
eu chego lá.



Ígor Andrade

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Eu sabia 4

Na confusão
vejo
harmonia.



Ígor Andrade

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Qualquer sonata

Danço sozinho
nesta noite sem música
com a fantasia de ser
amado
ou
abraçado
ou
esquecido
pela mulher que não existiu.

O piano da sala
não toca
mas continua lá.



Ígor Andrade

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Administrativo (um poema desconcentrado)

Estudo para ser
uma droga de agente
e a gente
não se entende
para que eu possa
estudar direito
e para que eu passe
a entender
o que é administração.



Ígor Andrade

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Princípio da utilidade

A princípio
não sou útil
e nem quero.



Ígor Andrade

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Regra de ouro

Estudando ética
vi que não tenho lógica
e para minha vida prática
é melhor mudar a ótica.



Ígor Andrade

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Morra

Segue a vida
sigo a vida
quem vive me segue.



Ígor Andrade

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Repouso

Quanto mais descanso
mais
me canso.



Ígor Andrade

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domingo, 8 de novembro de 2009

3

Para que prometer, se não vai cumprir?
Para quem prometer, se não há alguém?
Afinal, o que é, e para que serve uma promessa?



Ígor Andrade

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Rua

As folhas voando
esse chão parado
e eu
tocado por verdades secas.



Ígor Andrade

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Retardado

Venta leve
um leve vento
e eu pesado.



Ígor Andrade

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Talvez hoje

Minha poesia
quer morrer
por não te merecer.



Ígor Andrade

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