sábado, 28 de dezembro de 2013

Aviso para os (poucos e fiéis) leitores:

Em 2014 publicarei um poema ou um texto por dia. Será um desafio pra mim e pra vocês. Agradeço desde já a leitura. Belo ano pra todos! Abraços!

O sábado sabe


Me sinto uma criança idosa
que faz poesia pra ninguém ler.
(A vida deve saber
mais dessas coisas.)

Caminho por aí
procurando algo que não sei dizer.
Sento numa calçada qualquer
esperando o frio de sempre chegar.

Nunca sei direito o que pensar.
A vida vai passar
e nenhuma escola jamais ensinou
o que eu queria aprender.

O que é meu corpo além de mim?

Onde fica a caxemira dos idosos?

Às vezes sinto que numa casa pequena
todo mundo é grande
e todo mundo esconde
sua verdadeira casa.

Um pássaro sem asa
sou eu
quando penso no dinheiro
que quero ter
só para não saber gastar.

Até lá me visto com a poeira do meu quarto
e não ligo pra moda alguma.

O desespero não entende o santo sudário
nem o monstro no armário
da despensa do apartamento antigo.

Não ligo mais para nada
até o meu filho nascer.
O mundo vai crescer.
Eu vou diminuir.

O crepúsculo
o minúsculo
o músculo
o menisco.
Escrever é meu único risco
sem conta.

Uma folha em branco aponta
pro horizonte que devo seguir.


Ígor Andrade

_______________________________________________________________________________



terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Do apêndice xifoide até o umbigo


Minha humanidade anda bagunçada. Acho que estou ficando velho (da forma errada). Às vezes até acordo com alguma esperança. O que não me pertence me alcança. Rima imbecil! Continuo sem entender as esquinas. Continuo a escrever para as janelas... do tempo. Portas fechadas que não se abrem...
Nunca tive uma percepção tão aguda de que a vida é curta. Todo pensamento é longo. O silêncio não tem medida. Me arrependo de ter feito mal para as pessoas que amei. Eu não sei o que é amor. Sinto a dor que meu avô sentia, antes de morrer. Não conseguir dizer o que quer é o pior de viver. Saber crescer. Somos a vida que não teremos. Nos esquecemos de calar os calos. Caos medonho de sempre. Ralos entupidos de ódio e rancor. Prefiro os animais. Nós deveríamos morrer antes de nossos cães. Nossas mães são as melhores amigas. Eu não dou a mínima pro natal. Muita luz me faz mal. Tanta coisa não me diz nada. Nunca ganhei uma espada de samurai. Só quero mesmo é aperfeiçoar meu inglês para aprender mais sobre técnicas de sobrevivência na selva. Talvez eu abomine essa sociedade. Talvez more num deserto um dia. Preciso alimentar meus peixes. Talvez não consiga dormir direito esta noite.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________

sábado, 21 de dezembro de 2013

Pracinha


Saio cedo
pra correr
(socorrer
o que não corre)
em jejum.

Minha vida é um lugar comum.

Nada, ninguém, nenhum.
Tudo que tenho está longe.
Sou um canalha covarde
mas queria ser um monge.

E enquanto o sol se esconde
no horizonte amoroso
das senhoras e seus cães
eu só corro.

Socorro
era o nome de minha vó espírita.
Meu espírito não entende o que não vê.

(O que não sabe
não tem vida.)

Sinto uma sede maldita
e tudo que vejo
é uma borboleta gigante
tatuada na panturrilha esquerda
da moça branquinha
de vestido colorido.

Tenho corrido muito.
Posso perder meus pés.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________

sábado, 16 de novembro de 2013

Resignação a maldade


Para o amigo Diego Moraes.


Acho que me entendo melhor quando durmo mal.

Sei lá!
Parece que nunca durmo bem.
Mas o dia vem
assim mesmo.

Se o dia é quente
invento preguiça.
Se o dia é frio
(coisa rara no Nordeste)
invento desculpa.

Hoje parece o inferno.
Ando cozinhando poesia
pro diabo digerir.

Não posso fugir
das minhas mãos...

E meus olhos batizam qualquer lacuna.

A vida é dura
para quem não enxerga.
O resto é ciúme do tempo.

Tempo
este coiso
que acaba
e não tem fim.

Enquanto isso analiso minha armadura
que já não é a mesma.
A morte não me preocupa mais.

Me sinto capaz
de sumir.

Aprendi a observar
só depois de absorver.
Acho que isso é crescer.

Meu sobrenome depende da minha sobrevivência.
Minha descendência de analfabetos funcionais.
Meu pé esquerdo fora da cama me condena.
Quem me ama
além do travesseiro?

A arte de dormir escrevendo...

Tudo se fraciona
quando minha paciência não lembra
do estômago vazio.

Sou um vadio
a vagar por solidões.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________







quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A duras penas


Não sei dizer
o que quero dizer.
Não sei querer
o que digo querer.
Não sei fazer
o que faço saber.
Não sei saber.
Aprendi a ser.
Apenas.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Faz tempo


Para o amigo-irmão-mestre Fabio Rocha.


Faz tempo que não escrevo.
Não sei se isso é bom ou ruim.
Nem sei também o que significa não escrever
enquanto só penso em poesia.

Hoje eu ia
caminhar sem rumo
mas machuquei o meu joelho.

Outro dia quis escrever
mas desisti.
Outro dia desisti
e não quis escrever.

Às vezes me confundo
porque não sei entender o que sinto.
Às vezes confundo o outro
porque não sei expressar o que não se sente.

O dia mente.
O dia e a mente.

Acho que não entendo a vida.
Ou pelo menos não entendo
como os os outros vivem.
A vida de certo é isso:
Aquilo que não deveria me interessar.

Eu não deveria ser teimoso.
Raivoso talvez.
Reimoso nunca.

Observo um e outro indo trabalhar
(naquilo que escolheu, depois de uma faculdade
que tanto almejou).
Observo um e outro voltando pra casa
deprimido, desanimado com os sonhos.

Acho que os sonhos modernos não se realizam.
Esse mundo novo me causa angústia.

A verdade é que o sujeito nasce rei
e sempre morre bobo da corte.
Emburrecemos com o tempo.
Esquecemos o sentido
de não ter sentido tudo que criamos.
Criamos pouco.
O louco é aquele que cala janelas.
E eu não sei mais o que escrever.


Ígor Andrade

_________________________________________________________________________________

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tumulto


Ao acordar, a vista de um objeto evoca uma sensação desconfortante. Instante em que não se sabe quem dorme de fato. A pedra no sapato do sonho. Eu durmo enfadonho. Deito na estante; prateleira última. Ninguém me alcança. Anterior a isso: o interior dos outros. Vejo pouco. Sinto muito. Sou míope. Avisto o objeto de longe-tão perto. Parto a cara de espanto na porta. Lembro da menina morta. E lembro que só pago à vista o que não preciso. Não sou indeciso, mas sinto fome toda hora. Acordar é estranho. Agora é escrever. Prato frio enche a barriga do mesmo jeito. Prato quente come quem quer. Todo homem precisa de café. Minha xícara está vazia.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Survival


Visão clara se faz
no tempo escuro sem paz.

Aqui jaz
a alma do poeta.

A vida não é um equilíbrio regulado.
Dou um tiro pra cima.
Cai um sujeito do meu lado.

Não sou forte.
Vivo em Marte.

Predicado preparando uma defesa firme
para todo ataque desnecessário.
Minha guerra ninguém entende.

Têmporas inflamadas.
Punho cerrados
que não valem nada.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estóico talvez


Hoje não queria acordar, mas acordei.
Hoje não queria levantar, mas levantei.
Hoje não queria caminhar, mas caminhei.
Hoje fiz tudo que não queria.
E tudo hoje não basta.

O suficiente na mão de poeta
não tem eficiência na realidade.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

domingo, 29 de setembro de 2013

Três da manhã


Domingo cedo
um leve medo
não sei de quem.

Não estou bem.
O dia não vem.

A barriga ronca.
A cabeça dói.
A última noite foi
chata demais.

A rua sem um pé de gente.
Não vejo chuva cinza pela frente.

Sinto calor de criação.

O mais estranho é que acordei com uma esperança estranha.

Não haverá sorriso algum para iluminar este dia.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O que eu vivo não importa.


O que eu vivo
não importa.

Abro a janela
e fecho a porta.

Nem tudo é certo.

E nem de perto
o sorriso de dentes brancos
vale algo com mau hálito.

Hábito de sentir
mas não saber dizer.

Porque no âmbito da dor
habita um querer ser.

E sou só.
E estou só.

Antes só, do que mal acompanhado?
Não sei.
Antes o pó, do que um pobre aleijado
em sua solidão.

Navega quem tem disposição?
Não.
Navega quem sabe afundar.

Quem sabe eu aprendi a caminhar
sozinho por uma vida torta.

O que eu vivo não importa.


Ígor Andrade

_________________________________________________________________________________

Sumindo


Antes de dormir tentei decifrar alguém intocável. Melindrice dispensável. Mundo real onde tudo que faz mal, faz bem. Vida vazia na azia da noite. Uma vida fazia agonia antes do açoite (que nunca aconteceu). Antes de dormir o afago sumiu. Fogo que dormiu no reducionismo. Geometrizar sonhos impossíveis. Sensíveis olhos que se fecham na escuridão. Uma cacofonia sóbria costumeira, triste, e que insiste na morte momentânea da cama fria. Antes de dormir nunca penso em acordar.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

domingo, 22 de setembro de 2013

Facilidade de andar às escuras.


Vez ou outra
acordo sem acordar.
Raciocínio que amanhece
pesado.
Cérebro de concreto
e visão de estátua.

Minha vida é
a enxaqueca de sempre.

O peito vai bem:
Um mais um
é um.
[D(eus.)]
Mas o estômago não:
Concatenação anoréxica.

Dormi bem.
Mas sonhei mal.
Não sei
(nunca sei)
explicar minha cabeça.

Se fico deitado
enlouqueço.
Se me levanto
sinto dor.
A cor do dia
mudou muito hoje.

Não sei quanto vale o hoje sem ontem...

Sou humano demais.
Quero sumir
mas quero ficar.


Ígor Andrade

_________________________________________________________________________________

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Café puro


Tudo muda o tempo todo.
O tempo todo muda tudo.
O todo muda o tempo.
A muda é tudo.


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Mais um calo


De vez em quando sou feliz.
Sem saber da felicidade.

O sono tranquilo
depois da declaração de amor.

Semanas dormindo de olho aberto.

O dia começa.
Vou padecer em qualquer lugar.
Pelo menos tem peito de frango pro almoço.

A gente é o que a gente come?
Vou ciscar nas palavras...

Estômago que ronca saudade escreve melhor.
De vez em quando sou o que quero ser.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________

domingo, 25 de agosto de 2013

Você pensa que é fácil?


Sou aquele que sofre
sem sofrer.
Dizendo que tudo é dor.
Sem doer de fato.

O porta-retrato
foi pro mato...
Tudo nesse mundo é morte!
Sou de Marte e não tenho sorte.
Forte foi meu cão que faleceu.

(Tato gelado que se irrita com a suadeira. Na beira do abismo uma pêra. Eu queria, mas não posso. Eu passo. E vou passando...)

É como ter um ácido no estômago
que queima sem queimar.
E sem querer eu digo o que penso
sem pensar.

Estou próximo de mim
mas sou longe.
Monge lascado de fome.
Nome de imperador na boca do sapo.
Papo de maluco.

Onde está aquilo que saí a procurar por tanto tempo?


Ígor Andrade

________________________________________________________________________________


sábado, 24 de agosto de 2013

Ver(de)


De tanto caminhar na escuridão
(desarmado e mudo)
me acostumei a não enxergar
o próximo passo.
Cansaço
de trinta e dois anos
e alguns dias.

Passei até aqui
uma vida de raiva e ódio
e ócio.
Um tal negócio
que não sei negociar.

Tenho alguma consciência
de que isso tudo não me faz um sujeito melhor.
Mas alimenta um monstro
que crio cuidadosamente
e é necessário.

Só me resta deixá-lo crescer...


Ígor Andrade

____________________________________________________________________________________

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Melatonina


Desmedidamente meu dia amanhece. 
Esqueço do frio. 
Minha mente aquece 
qualquer sentimento. 
Não minto 
minha insurgente desmesura.
A xícara com café amargo apura 
meu paladar sofrido. 
Tenho sido muito pouco. 
Eu preciso de mais para sobreviver.


Ígor Andrade

_________________________________________________________________________________

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O canto do dedão inflamado


Haja calçada
para tanto pé.

Só digo isso
hoje
porque não topei
nos meus pensamentos.


Ígor Andrade

___________________________________________________________________________________

O de sempre, sempre


O Papa tem Deus no coração.
A política tem o povo na mão.
O circo, o palhaço e o pão.
O que falta?


Ígor Andrade

__________________________________________________________________________________

quarta-feira, 3 de julho de 2013

É


Eu preciso reduzir
tudo o que penso
para entender
o que não sei.

O que não sei
simplesmente
se entende sem precisão
e não se reduz.


Ígor Andrade

_________________________________________________________________________________

domingo, 2 de junho de 2013

De vagar


Minha vida é teórica demais.
O pior é que gosto disso.
Vivo de cara pro céu.
Esperando o próximo poema.
De repente chove.
Fico parcialmente feliz
quando vejo um cão atravessar a rua.
Nunca entendo onde começa o dia
nem onde termina a noite.
O tempo presente é complicado
e simples demais.
Não sinto que sou único.
Mas sei que sou único.
Minha barriga ronca acordada.
Dormi mal e sonhei pouco.
Hoje.
Domingo é o melhor dia da semana.
Talvez por isso termine tão rápido.


Ígor Andrade

___________________________________________________________________________________

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um texto oxigenado


Hoje acordei no fim do mês. Talvez, neste tal mundo. Imundo. Não mudo a cor da tarde e pouco lembro do que foi cedo. Sinto um medo de não sei o quê. Posso até me perder nesta fome toda de não saber pensar. Posso até pesar, antes de ter amado. Um poeta armado... de solidão. Então, hoje é feriado! Ninguém foi trabalhar, mas todo mundo tem preguiça. Todo mundo tem cobiça, e não quer trabalhar também amanhã. Santa missa que o padre fala com as paredes. Feriado ferido. Todo ser humano tem amigo. Eu não. Em vão. Se vão. O cifrão não fala a minha língua. Corpus Christi. O corpo insiste no balanço da rede. Todo nome e toda sede no altar sagrado do egoísmo. Povo besta! Povo sem lirismo. Muito ismo a esmo. Tudo no mesmo. Povo besta! Celebrar o corpo e o sangue de Cristo, pensando na farra da sexta. Este é o futuro cerebral. E eu acabei de acordar. Enquanto meu estômago cheio reclama de uma dor terrível no pé. Direito. Eu ainda acho que ando demais. Sem sair do lugar.


Ígor Andrade

___________________________________________________________________________________

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Praticando a tarde


Tato denso.
Teto tenso.
Feto imenso.
Imerso e manso.
Fato tanso.
Canso.
Não danço.
Feito ganso.
Amanso o lago.
E descanso leigo.


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

terça-feira, 14 de maio de 2013

A flor do sinal


Para minha mãe Rejane Maria, minha tia Regina Pinho e minha sogra Dona Lucivanda.

O que é ser mãe?

É ser tudo.
Poesia de nascer
no presente do absurdo.
É o maior mundo
e todas as suas possibilidades
de fazer o melhor.

É sentir-se o pó
num dia cansativo de um filho febril.
É ser mil
mesmo que seja pouco.
Porque até para cada louco
existiu um útero puro.

Ser mãe
é colher maduro
antes da semente.
Divindade que não sente
dor
nem frio.

Eu me arrepio
quando penso na minha mãe.

Quer entender o que significa força?
Observe uma criança comer
enquanto a mãe sente fome.
Ter uma mãe é ter um nome
na eternidade de todo paraíso.

E para todo riso
existe uma mesa farta
num almoço de domingo.

E para cada barriga cheia
existe uma lágrima de alegria
num travesseiro tranquilo.

Ser isso e aquilo
e cuidar em ter cuidado.

Curar enquanto a vida durar.

Ser mãe é um viver laborioso
num laboratório desértico.
Antes do pai
a mãe é o lógico
além do ético.
E todo parir é uma oração.

Ser mãe
e sermão
verbo estar sem estação
de um estado longe.

Toda mãe é um monge
que não precisa meditar.
Hoje me sobra palavra
mas me falta o ar.

Hoje me sinto alguém.
Amor de mãe.
Amém.

Amei
e sou amado.

("Vocês, mães, são os meus amores!" E só esta frase já seria o meu melhor poema...)


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

quinta-feira, 9 de maio de 2013

É assim tão meu o teu nascer


Para minha mulher-amiga-companheira, meu maior amor, Rafaela Bezerra.
(Muita paz e saúde neste teu outro nascimento!)


Onde estou
pouco me interessa.
Não tenho pressa.
Mas tenho prosa.
Carrego tua saudade sempre
e hoje roubei pra ti uma rosa
dos jardins do uni-verso.

Sou um morador das janelas
que te desenha na madrugada.
Agora eu tenho tudo
muito depois do antes
de ter nada.

Poemo teus sorrisos infinitos
no nosso silêncio falante
tão nosso.

Você pode e eu posso
alcançar o pra sempre.

Pra sempre.
Sem parar.

Eu consigo te olhar
sem esquecer
que posso conseguir
e vou seguir
cada amanhecer
do que você olha.

Esqueça do mundo.
O cego ficou surdo
de tanto não saber lembrar.

Procurar
a mesma pergunta
é encontrar a mesma resposta.
Encosta
teu olhar no meu horizonte,
minha parte que é um todo,
meu parto de escrita,
minha ponte:
Com quem estou
é que importa.
O fato, o feto e a fonte.
Aorta
minha
no teu peito.

Não tem outro jeito.
Nosso amor tem feito
uma vida bem melhor.


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Disse o mendigo


Riqueza mesmo
é sonhar
sem pobreza.


Ígor Andrade

________________________________________________________________________

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A chuva não adiantou


O dia foi quente.
O dia do crente.
O dia sem dente.
O dia não mente
o dia.

Um monte de gente
não sente
o que sinto.

O dia é um labirinto
que começa na noite
mal dormida.


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

domingo, 7 de abril de 2013

Café forte e cabeça fraca


Ando me alimentando mal
mas não faz mal,
eu faço o bem
só não sei pra quem.

Talvez para os outros,
os que se alimentam bem.
Bem, eu acho.

Só não acho mesmo
o caminho de quem sozinho
passa fome.

O nome do estômago
tem outro nome
e eu não imagino
porque estou falando disso.

Há muito que sinto a barriga roncar
na miséria soberba de minha ignorância.
Uma mistura de isolamento moral
com afastamento do céu.

De certo meu domingo é o véu
que cobre o sono de quem é cego.


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

sábado, 6 de abril de 2013

Confusão do além


Onde está
o deus do outro
no outro deus?


Ígor Andrade

________________________________________________________________________

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Budweiser


Uma sede só.
Uma só sede.
Fico olhando a cama,
mas quero o balanço da rede.

A rede
...
que era verde
e que eu não vendo.

Esperança na varanda
relendo
o escuro da noite.

Noite de sede só.
Foice que corta o nó.
Do sangue ao pó.

Tenho dor.
...

Cerveja que tenta
não congelar numa brastemp.


Ígor Andrade

______________________________________________________________________

quinta-feira, 28 de março de 2013

Depois da chuva


Quantos anos tem março?
O que é a mentira na "semana santa"?
Quem cuida do calor?
O que o juízo disse pra saudade?
Quanto silêncio cabe numa xícara de café?



Ígor Andrade

______________________________________________________________________________________

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Esqueletos


No calor o poeta
escreve melhor.
Suor que escorre no pescoço.
Garganta que não vive sem um nó.

Nunca estou só.
Minha mente é uma boa companhia.

Outro dia plantei sementes
com o olhar -
outro dia...
Já não me desespero mais.
Ando vivendo calmarias
(esquisitas).

Desde a explosão Cambriana
os crepúsculos são todos iguais
e diferentes.

Pouco se sabe.
Muito se sente.
Mente quem sente que sabe.

Não quero mais nada.

Eu perco o chão
e acho uma palavra.
Eu perco uma palavra
e encontro um céu.

O chapéu
de um velho
entende a vida que passou.
Hoje compreendo
a calvície de meu pai.

Tudo vai
e vem
como esta tarde.



Ígor Andrade

______________________________________________________________________