segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Estóico talvez


Hoje não queria acordar, mas acordei.
Hoje não queria levantar, mas levantei.
Hoje não queria caminhar, mas caminhei.
Hoje fiz tudo que não queria.
E tudo hoje não basta.

O suficiente na mão de poeta
não tem eficiência na realidade.


Ígor Andrade

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domingo, 29 de setembro de 2013

Três da manhã


Domingo cedo
um leve medo
não sei de quem.

Não estou bem.
O dia não vem.

A barriga ronca.
A cabeça dói.
A última noite foi
chata demais.

A rua sem um pé de gente.
Não vejo chuva cinza pela frente.

Sinto calor de criação.

O mais estranho é que acordei com uma esperança estranha.

Não haverá sorriso algum para iluminar este dia.


Ígor Andrade

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O que eu vivo não importa.


O que eu vivo
não importa.

Abro a janela
e fecho a porta.

Nem tudo é certo.

E nem de perto
o sorriso de dentes brancos
vale algo com mau hálito.

Hábito de sentir
mas não saber dizer.

Porque no âmbito da dor
habita um querer ser.

E sou só.
E estou só.

Antes só, do que mal acompanhado?
Não sei.
Antes o pó, do que um pobre aleijado
em sua solidão.

Navega quem tem disposição?
Não.
Navega quem sabe afundar.

Quem sabe eu aprendi a caminhar
sozinho por uma vida torta.

O que eu vivo não importa.


Ígor Andrade

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Sumindo


Antes de dormir tentei decifrar alguém intocável. Melindrice dispensável. Mundo real onde tudo que faz mal, faz bem. Vida vazia na azia da noite. Uma vida fazia agonia antes do açoite (que nunca aconteceu). Antes de dormir o afago sumiu. Fogo que dormiu no reducionismo. Geometrizar sonhos impossíveis. Sensíveis olhos que se fecham na escuridão. Uma cacofonia sóbria costumeira, triste, e que insiste na morte momentânea da cama fria. Antes de dormir nunca penso em acordar.


Ígor Andrade

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domingo, 22 de setembro de 2013

Facilidade de andar às escuras.


Vez ou outra
acordo sem acordar.
Raciocínio que amanhece
pesado.
Cérebro de concreto
e visão de estátua.

Minha vida é
a enxaqueca de sempre.

O peito vai bem:
Um mais um
é um.
[D(eus.)]
Mas o estômago não:
Concatenação anoréxica.

Dormi bem.
Mas sonhei mal.
Não sei
(nunca sei)
explicar minha cabeça.

Se fico deitado
enlouqueço.
Se me levanto
sinto dor.
A cor do dia
mudou muito hoje.

Não sei quanto vale o hoje sem ontem...

Sou humano demais.
Quero sumir
mas quero ficar.


Ígor Andrade

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