segunda-feira, 27 de junho de 2011

Eu não valho a pena

Eu não valho a pena.
Minha alma é muito grande
mas minha paciência é pequena.

Tudo isso é difícil demais
de entender.

Sento nas costas da noite
com a mesma dúvida que você:
De onde veio esta expressão?
Valer a pena!

Pois bem, leiam o livro dos Mortos
e Osíris com seu julgamento final
dirá se toda alma alcança a luz.

Não preciso falar aqui
da minha consciência para mim mesmo.
Sou um sujeito pesado de consciência leve.
Ou pode ser o inverso
do verso
imerso
na escuridão.

Enfim...
Deixa Osíris falar, deixa ele
na contramão.

Bem ou mal o meu valor
está em aprender
qualquer coisa
à qualquer hora.
E ainda bem que gosto de mitologia.
E ainda bem que os egípcios me fascinam.

(O Antigo Egito
é como um grito
pra quem gosta
do silêncio.)

Mas no momento preciso dizer
que eu não valho a pena.
Não conheço o perfume da açucena.
Eu não valho a pena.
Sou touro irritado na arena.
E a tevê chiando sem antena.
Eu não valho a pena.

(Minhas rimas são pleonasmos viciosos mesmo
e devem valer mais que eu.)



Ígor Andrade

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5 comentários:

Lara Amaral disse...

Também não valho a pena, talvez a pele, rs

Sua poesia me vale a beça, já tá bom, né? hehe... brincadeira.

Beijinho.

Keylla Bins disse...

Putz...é de tirar o fôlego.

E te direi sem pestanejar, meu amigo das letras...

Eu também não valho a pena.rs..

Mas ler suas linhas me valeu o dia.

Saudações poéticas!!

Ígor Andrade disse...

Como é bom ver essa identificação...
Abraços, Lara e Keylla!

Marcelino disse...

Juntar por rimas açucena, touro e tevê chiando é coisa pra quem vale a pena ser lido.

Ígor Andrade disse...

Valeu, Marcelino meu herói!
Grande abraço!