quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ecce homo

Descanso a poesia
no meu peito.

O barulho da rua
contra o silêncio perfeito.

Hoje um adjetivo perdido
de um predicado sofrido
encontra o sujeito:
infeliz.

De nihilo nihil.

Nada vem do nada
nem a minha amada
que costumava ser tudo
um outro todo mundo
e quase me escapou por um triz.

Há noites que são assim.
Me escapam as palavras
mas eu não fujo de mim.

Hoje a mulher que eu amo
e minha poesia
descansa no meu peito
e sou muito suspeito
para despertá-las.



Ígor Andrade

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2 comentários:

Mari e Poly disse...

Muito legal seu blog...

AnaLua disse...

Gostei deveras deste poema! Por vezes é preciso deixar o amor e a poesia repousarem! Encontro-me também assim no momento. Meus versos estão sendo gestados, e os amores aguardam. No tempo certo, sementes tornam-se árvores frutíferas, ou, no mínimo, nos enganam com as flores na primavera.

beijo!