terça-feira, 7 de setembro de 2010

Palpitação

O prédio todo acorda
o prédio todo mesmo.

Tudo acorda.

Ouço o barulho da água
correndo nos canos.
Ouço as vozes dos vizinhos.
Ouço meus enganos.

Tudo acorda.

A janela
se abre pro sol
na cozinha
se bate uma porta.

Pulsação
dilato a visão
me encontro
aorta.

Olho para o prédio do lado.
Na varanda
um menina morta
sem namorado
e me sinto vivo.



Ígor Andrade

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3 comentários:

HSLO disse...

Passando pra te desejar um ótimo feriado.

abraços
de luz e paz

Will disse...

Simplesmente magnífico! Quase consigo ouvir os sons. Muito bom.

Um abraço!

dade amorim disse...

Muito legal, esse poema ao vivo.

Beijo.