sábado, 12 de junho de 2010

Sofá

Dorme
minha menina.
Sossega.
Deixa que seu jardim
o meu desejo rega.

Sonha
minha menina, sonha
travesseiro e fronha.
Espanha, Paris, Noronha...

Meu cheiro está aí
meu gosto está aí
algum sentido meu está aí.
Você de olhos fechados
sou eu aqui
bem aqui.

Dorme
minha menina
de voz firme
e alma branca
no meu silencioso olhar.
Te olhar
e te cuidar
sem te tocar.

Sossega
minha menina.
Quando abrir os belos olhos
verás o futuro
o poeta desce do muro
o narciso amarelo floresce
e no escuro se esquece
que o poema é ar puro.

O passado passou.
O passado já te esqueceu.
O passado ruim não mais existe
o amanhã é o agora e insiste
e o teu sono sou eu.

Dorme, sossega
minha menina.
Caminho no teu corpo
com a máxima poesia
do que é mínimo
e me contamina.



Ígor Andrade

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9 comentários:

Lara Amaral disse...

O menino tbm tem que dormir, pela hora... rs.

Bonito poema!

Abraço.

Marcantonio disse...

Um acalanto de si mesmo no outro? Muito bom.

Há muita coisa boa aqui no seu blog. Desde a epígrafe do Nietzsche (sempre comigo)até as lonjuras alcançadas por sacadas profundas.

Abraço!

Meu olhar caleidoscópio disse...

Lindo, Ígor! Uma "cantiga" de ninar doce e angelical...Quanta sensibilidade!

Marcelo Mayer disse...

o retrato de quem ama é a cama, o lençol e cobertor

Ígor Andrade disse...

O menino nunca dorme, Lara. Abraço, minha amiga poetisa de mão cheia!

Ígor Andrade disse...

Valeu, Marcantonio e Cris!
Abraços!

.raphael. disse...

belo poema velho! Me lembrou uma cantiga que o vinícius fez: "Menininha do meu coração, eu só quero você a três palmos do chão, menininha não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção..."

Abs

S.L. disse...

Sonho, quando um dia, poderei ouvir tão lindas palavras de outrem. Vc é puro meu amigo. Um beijo.

Marcelino disse...

Essas três primeiras estrofes já dizem tudo e a quinta, em minha leitura, fecha o cerco.