quarta-feira, 11 de março de 2009

O que vegeta

Um tudo que não é muito
numa manhã sem amanhã.

Aqui dentro, um vaso sem planta.
Lá fora, chuva cinzenta espanta
calor
de calar a dor.

O altar sem deusa
e sem graça
e a insônia sagrada que passa.

Reticências
antes do ponto final.



Ígor Andrade

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4 comentários:

S.L. disse...

Nesta manhã com um amanhã escuro, escuso, de prazos vazios, a reticência é a personificação desta vontade contínua. Nunca de ponto final, afinal, não há emoção quando sabe-se o fim. Simples: não há.
Meu beijo para você.

glória disse...

um vaso sem planta, pode ter semente invisível. poesia brotando por dentro. o que vegeta, fora do alcance da luz, tem vida latente, mesmo que as deusas ainda adormeçam.
belo poema Ígor!

Patrícia Lage disse...

Eu prefiro os dias líquidos, e há muita beleza nas plantas.

Quanto às reticências,
Eu as considero assim: um marco de passagem, indicação de caminho, uma ida. É quando os dias de sol voltam e o que se fez planta retoma a humanidade perdida.

Lindos versos, como sempre.
Meu beijo, poeta.

Cosmunicando disse...

lindo! sôfrego e lindo esse poema...
abraço