segunda-feira, 23 de março de 2009

Aquilo que se vê

Dos vultos e vozes
de muitos e voltas
sem razão alguma
ou face
fecho as portas
e sou assim.

Sou defensivo e assustado
assombro o ombro passado
e me sinto bem mais aliviado
quando me sufoco de dor.

Eu me fecho pro mundo
me defendo dos outros
(e dos outros que existem em mim)
porque também sou egoísta
e louco.

Resta pouco
entre outros
o pouco
(resta pouco)
tempo
e luz.



Ígor Andrade

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Um comentário:

Pan y vino disse...

Murilo Mendes tem um poema, "choro do poeta atual", q fala dessa sensação q temos ( principalmente quem escreve) de q há muitos dentro de nós. Talvez esse fato nos redima da pecha de egoístas, já q, em princípio, ñ estaríamos pensando no Eu, mas no Nós (mesmo q este esteja dentro de nós).