sexta-feira, 9 de abril de 2010

Paranóia

Nas horas mortas desta manhã
(que não amanhece)
eu adoeço
(ou anoiteço).

Não preciso:
do buda do meu pai
nem do deus da minha mãe
muito menos do pastor do meu irmão.

Não preciso nem de um grande cientista
pra saber que as coisas andam erradas
e que eu, só eu, sou o único culpado.

Nas horas mortas
adoeço
e nas horas vivas
esqueço
que a cura singular
para este plural do que sou
está em mim.

Não posso fugir
não devo fugir
e não quero fugir.

Se eu me ameaço
eu me enfrento.

Tudo que faço
aqui fora
é tudo que não quero
aqui dentro.



Ígor Andrade

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10 comentários:

Ju Fuzetto disse...

O peito pedindo um pouco de alguma fé, suplicando pela ausência do silêncio interno!!

Bom final de semana!!

abraço

Renata Bezerra disse...

"Nas horas mortas
adoeço
e nas horas vivas
esqueço"

Sei como isso é.
Gosto de vir aqui.

Abraço, Ígor.

Nadine Granad disse...

Eis que venho para beber da dose diária de filopoesia!...

Abraços! =)

sarah disse...

Horas mortas, são as horas em que mais nos ouvimos e aprendemos de nós mesmos.

bom fds e boa sorte pra nós cariocas .

Patrícia Lage disse...

Às vezes essas horas me assaltam e é duro recebê-las. Outras vezes, o que mais preciso são de horas assim.

Enfim.

Meu beijo, poeta.

Tiago M? (o Berro d'água) disse...

quando mais eu vasculho a net, masi encontro diferentes poetas


viva a sua poesia

Ká* disse...

Passando pela 1ª vez!

(E deixo um pouco de mim...)

A vida é um conflito de quero e não posso ter, sou o que não quero ser ou será q é tudo uma consequencia dos atos?

Texto legal! :D

Manuela disse...

Nossa!
Achei tuas palavras verdadeiras, quase se pode toca-las!

Fabio Rocha disse...

Mas a poesia segue linda meu irmao

L. disse...

gostei daqui.. Seus textos são muito bons.. Amei

to seguiindo
;*