terça-feira, 3 de julho de 2012

Dormi na trincheira



Terça-feira enjoada.
Muita gente na rua
poucos cães em casa.
Eu alongo minha coluna
na esperança de algo ir
pro lugar certo.
Meu estômago vazio.
Minha cama me chama.
O parto perto
antes da morte.
Eu poderia ser mais forte.
Ela poderia ser qualquer coisa.
Ninguém entende de liberdade 
poética.
Apenas três latas de cerveja na geladeira.
Alguns miseráveis vão acabar num manicômio.
Eu não começo uma dieta tão cedo.
Minha mãe tem medo
de voltar a andar.
Antes de qualquer coisa
o ócio.
Vou fazer minha barba.
Hoje não tem revolução.




Ígor Andrade

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Um comentário:

Natália Campos disse...

Gosto sempre quando escreve e do que escreve. É sempre de algo tão corriqueiro, tão cotidiano. Isso é o segredo na poesia: escrever o que se passa, o que se vive, o que se vê, o que se tem na vida. Muito bom, my brother. Beijos com saudades!