segunda-feira, 2 de julho de 2012

2012 e um desabafo



Nesta época, eu prefiro evitar todo tipo de bondade declarada. Mais nada. E antes de tudo, se eu posso evitar, também prefiro dizer que não devo tolerar mais, qualquer forma de fundamentalismo, qualquer ismo a esmo. Por aí tem muito disso e muito mesmo. O diferente vive longe e cedo, de quem é tarde e perto. Desperto o (pre)juízo sem jeito. Dispenso o peito que não se abre. Hoje, e tão somente hoje, é preciso, e eu preciso, compreender o mal. Um animal que sou, tão humano e tão profano. O peso de um piano de chumbo me pesa a alma. A calma não quer conversar. Eu sofro da biologia das coisas, e vamos combinar que as ciências biológicas são poéticas demais. Lógica é verso fantasma. E a bíblia nada me diz. Assim como nada me dizem: o alcorão, o torá, o bhagavad gita, e todos os outros. "Drummond é meu pastor e nada me faltará." Quintana, Einstein, Sagan, Pessoa e tantos outros também. Ninguém entende minhas ironias. Vivemos num tempo que insiste em regressar pro medieval. Não merecemos todo o avanço científico e tecnológico. Nossos relógios se confundem com os ponteiros. Não sabemos ao certo o que somos e porque estamos aqui. O criacionista não se conforma com suas teorias. O evolucionista se deprime. Não acordei maniqueu, nem ateu, mas sou teu, Rafaela. Aquarela que nasceu pronta. A ponta do iceberg que afundou o titanic. O chilique do capitão. Um mendigo que atravessa na contramão, de sua fome. Desconfio de qualquer eloquência, seja ela qual for, sobre o que for. Fora o jocoso que enfrenta o manhoso. Agradável possível profundo de minhas epifanias. A suavidade das manhãs costumavam me encantar. Nunca existiu salvação!




Ígor Andrade

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Um comentário:

Rafaela disse...

E eu só entendo que nasci pra amar você e que fui/serei somente sua.

Amo você e conte sempre comigo!