quinta-feira, 19 de abril de 2012

É na madrugada


É na madrugada
que minha suposta alma
busca um fim.
Busca em mim
a própria madrugada.

É na madrugada
- nesta perecível cadência dos mortais
todos eles iguais,
e na beleza do silêncio
dos pássaros dormentes...
que ouço vozes.

É na madrugada
que toda poesia
me nutre
da vida que vi no dia
da vida que eu não tenho.

É na madrugada
que equilibro a balança
da temperança da fome
e da esperança da sede.

É na madrugada
que ignoro os malditos
e decepciono os acéfalos.

É na madrugada que sinto saudade
da biblioteca do colégio odiado
do jogo de bola sem vaidade
e do quintal dos meus avós.

É na madrugada
que me encontro
mesmo que perdido
em mim mesmo.

É na madrugada
que me exijo ao máximo:
Entender mais a pequena família.
Perceber mais os poucos amigos.
Amar mais a melhor mulher.

(... Rafaela
que sem ela
minha janela
perde a graça...)

É na madrugada
que a vida se disfarça
de outra vida.

É na madrugada
que entre um gole e outro de café
escrevo muito
para os poucos
que me lêem.


Ígor Andrade

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4 comentários:

PauloSilva disse...

Já dizia o outro "antes poucos mas bons que muitos e maus".

Na madrugada, o sopro da vida abrange tudo e mais alguma coisa, os sentimentos, os pensamentos, o querer, o precisar e o necessitar. O desejo, o sonho.

Um gole de café com duas colheres de açúcar. O sol nasceu, e a batalha recomeça.

Rafaela disse...

Tô longe de ser melhor comparada a você, meu amor... que passou a dar sentido em minha vida, que me ensina tanto, que me faz tão feliz e que quero ter sempre ao meu lado.

Amo-te!

Ígor Andrade disse...

É isso aí, Paulo Silva. Abraço!

Ígor Andrade disse...

Rafaela, meu amor, aceite meus versos. Você é a melhor! Amo-te!