terça-feira, 19 de julho de 2011

A arte da leitura da mente

Para o amigo Adriano Oliveira (O Prof. Xavier).


Duas da manhã
e o sono não é bem-vindo.

Não aceitamos visita.
Casa desarrumada é mais sincera.
Nos falta a megera
mas nos sobra tempo.

Todo lamento
é arrumação.

Arruma isso então:
Desorganizar a poesia do pensamento
no silêncio
não é ponto de partida
é linha de chegada.

Chegamos aonde queremos
cedo ou tarde
imaginário.

Somos mentes inquietas
que não enxergam a tranquilidade
dos sorrisos perdidos na lisura.

Mente suja
e alma pura
é o segredo dos mutantes.

Não obstante
ao futuro na nossa cara
toda e qualquer madrugada nos ampara
e nos guia pela revolta
de sermos apenas isso:
um hoje prolixo sem ponto final.

Bem ou mal
o mundo é dos zumbis.

Horas mortas
de corpos vazios
que se perdem
nos relógios quebrados.

Essa história de caminhar de braços dados
é desculpa pra vagabundo se escorar em alguém.

Caminha só que tem o peito de aço
e sangra.

A vida é corte, meu amigo.
A vida é conquistar Marte.
A vida também é morte.

A vida é sempre um ano a menos
é sempre a metade do que pretendemos.

Duas da manhã
e amanhã acordaremos
com a mesma sensação
de que falta muito
pra entender tudo que é pouco.



Ígor Andrade

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5 comentários:

Nadine Granad disse...

Mutantes... adoro-os!

LINDO... IMAGENS E IRREVERÊNCIA!!!


Beijos =)

Natalia Campos disse...

Tu és um poeta nato! Beijos. Au revoir.

Pedro Trigueiro disse...

lindo mesmo

Pedro Trigueiro disse...

eu intimo demais, mas lindo, realmente.

MeandYou disse...

Adorei!
Seu blog e sua poesia estão maravilhosos e como estou lançando um novo projeto pela blogosfera, para escritores e poetas, gostaria de saber se quer participar também.
Veja o meu projeto através do link abaixo e, quem sabe, terei o prazer de ler por lá uma poesia sua também.
abraço carioca

http://wwwmeandyou-meandyou.blogspot.com/