quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Primeira lei da termodinâmica


Uns aprendem a ouvir. Outros aprendem a escrever. O ouvido de um é o olho do outro. Há de se prestar atenção no que realmente faz sentido. Tenho sentido falta do que é real. Muitos lunáticos fanáticos apopléticos. A estética venceu a ética. Poética pobre sem pôr do sol. Acordei proparoxítona e esqueci do arrebol. Bem ou mal, sentir é descoberta abismal. Janela aberta pro quintal, da alma. A falácia do homem livre pede calma, mas eu nem ligo. O inimigo da escrita é a surdez. Outra vez, descubro a cegueira das mãos. Quem somos enquanto não temos? O que vemos quando não sentimos? Saber ouvir antes de responder, saber escrever antes de sentir; saber ser divino. A plenitude se disfarça num sorriso de canto. Outro encontro. E fim de conversa. Que pressa é essa que nós vivemos? Ainda sou do tempo em que o tempo não se preocupava com o tempo. Muito vento e poucos tantos. Esperanto no silêncio da noite. Somos servos da ignorância. Cervos com uma profunda ânsia de contemplar os leões. Sermões sem ser mães. O diabo entende do solo melhor que o pastor. O pavor de quem escreve está no colo da dislexia. Vou morrer acreditando que harmonia é a teimosia de um aleijado; quando falta algo a vida cria significado.


Ígor Andrade

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2 comentários:

Rafaela disse...

" A plenitude se disfarça num sorriso de canto. Outro encontro. E fim de conversa."

Lindo.

Ígor Andrade disse...

Linda!