domingo, 3 de junho de 2012

O domingo



O domingo cala
o imbecil
que desaprende
antes de tentar.


Antes de qualquer coisa
qualquer coisa fala
e aprende a andar.


O domingo também sabe amar.


Domingo este
domingo hoje
em que sinto falta
de Rafaela.


Fim de tarde: aquarela
nos olhos do poeta.


O domingo é uma linha reta
que alcança a curva
do juízo pleno.
Sentido ameno 
na escrita.


O meu domingo
é como o de Dona Rita
que cuida dos filhos
sem nenhum cansaço.


O domingo é um cangaço
sem crime
e sem creme 
na sobremesa.


O domingo é a certeza
de que tudo passa rápido demais.


Meu irmão anda muito estranho.
Minha mãe geme de dor no quarto.
Meu domingo é um parto.
O dia não olha pra trás.




Ígor Andrade

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2 comentários:

Rafaela disse...

Saudade! Amo você!

Webert Gomes disse...

Se você não publicar (um livro), serei obrigado a imprimir as páginas virtuais de seu blogue para catalogar seus versos e deles desfrutá-los sem a interferência de uma tela de computador.

E acho que farei isso agora mesmo...