terça-feira, 13 de março de 2012

Água com gás



No meio da madrugada.
A rua é mais que a rua.
Visto essa memória nua.
Eu tenho uma madrugada e meia.


Boca cheia de dentes
estômago cheio de fome
e minha varanda vazia 
de mim.


Uma saudade 
que não cabe neste céu.
Devastação é isso!


Um cão na calçada
dorme.
Uma árvore parada
canta.
Nada me espanta mais
que a falta.


O dia foi quente
e a noite é alta.
Vento levinho
que toca o peito.


Silêncio no vizinho.
Reticências nas paredes.


Quarto andar hoje
sem idéia de suicídio.
Mais tarde verei meu amor...




Ígor Andrade

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8 comentários:

Marcelino disse...

Um itinerário belíssimo,quanta saudade! Essa expŕessão da dimensão do sentimento ficou demais, Igor.O céu, então, não é o limite.

Lara Amaral disse...

O poeta habita a madrugada como a saudade o habita.

Lindíssimo, meu caro, poema de arrepiar!

Natália Campos disse...

A água te deu gás, hein mano! Que lindo. Saudades...beijos :)

Rafaela disse...

Meu orgulho...Amo tanto!

Ígor Andrade disse...

Marcelino, você entende sempre...

Ígor Andrade disse...

Larinha, é bom ver você por aqui.

Ígor Andrade disse...

Natália, um abraço.

Ígor Andrade disse...

Rafaela, meu amor!