quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Onírico demais



Não estou dormindo bem.
O sono tranquilo, que era
tudo que eu tinha
cansou de mim.


Os reflexos da minha vida estão alterados.


Alter ego que me espia atrás da porta
com uma faca na mão.
De antemão concluo:
Posso eu me matar antes de mim...


Minha casa desarmonizou.
Minha mãe se deprimiu.
Meu irmão se extenuou.
Meu cachorro adoeceu.


Cadê o sorriso da caminhada?
Cadê o pacifismo do novo eu?


Talvez ajude meditar sobre a tarde.
Talvez ajude me ditar antes da noite.


Não estou dormindo bem.
Meu sono não tem vaidade com o ronco.
Cavalo manco preto-e-branco
que desaprendeu a correr.


Vou pastar algumas horas
antes de acordar mesmo.
Escrevo dormindo tudo que queria esquecer.
O ponto de impacto!


De repente deixo a tarde ir.
O que há de se fazer?
Com uma serenidade de bolso vazio
e uma agonia de pedra
permito-me um pouco mais
que lembranças do que não existiu.




Ígor Andrade

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2 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

Gostei muito!

Retornarei ao seu espaço
para outras leituras.

Um abraço,
Doce de Lira

Contradita disse...

O sono fica intranquilo quando os pensamentos estão agitados.

No entanto, também pode significar que e alma está se reacomodando, se preparando para um novo estágio, progredindo.

Seguir, libertar amarras, por vezes opiniões já formadas, respirar novos ares no começo pode ser desconfortável.

Espero que essa agitação noturna seja o primeiro indício de um despertar.

Gostei muito desse espaço moço.