sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Capítulo 01: Sobre... vivendo

Era segunda, fim do dia claro. Eu lembro que pouco antes de adormecer, pensava em como mudar minha vida. Enquanto encarava meu mau humor com água e silêncio, refletia sobre o que passei ontem, vislumbrando o que faria no final da semana. A tarde ia em boa hora, esticando meu passado, e a noite que tanto me faz bem chegava devagar. Tentei recordar dos sonhos malucos que tive durante um sono profundo, mas atordoado. Obra de um tranquilizante natural que venho tomando. É difícil unir peças que não se encaixam, atar um nó de cordas curtas. Não os lembro, mas é válido qualquer esforço mental que vicie.
Fico aguardando o momento em que minha metade apareça, e vejo o quão são pequenos os ditos civilizados. Não é preciso ser tão visionário para entender que mesmo ausente, uma pessoa cuja defino aqui como minha parte é diferentemente exaltada. Porém enaltecê-la-ei posteriormente.
Sou o filho pródigo, lunático, e acho sinceramente que nasci na melhor época
possível. No tempo em que alguns pobres diabos fogem do conhecimento, o busco com veemência. Por isso me destaco e evoluo. Eu bem sei que cada um aprende de uma forma, no entanto é muito particular a minha busca incessante. Engraçado eu citar tempo. O que mais falta pro mundo moderno e sobra pra mim. O tempo em que tudo está errado, mas continuo fazendo o que acho certo. Tenho uma filosofia de vida familiar contestada, e porquanto, não dizer esquecida. Assim a vejo, e assim ela é. Não reprimo meus desejos e também por isso sou criticado, contudo mentalmente saudável. É, eu assumo que essa cabeça não pára, só que o bastante para o louco aqui inexiste. Assim como máquinas não cessam o funcionamento, levo uma vitalidade regada e regida pelo auto-conhecimento. Só permanece o presente na minha compreensão da realidade. E como tudo que segue, lá vou eu realmente acordar no chuveiro, e certamente antes de deixar essa residência de normais, para assistir uma aula capitalista numa faculdade fascista, falarei com uma grande mulher e lhe contarei tudo o que sinto, sem limites pré-estabelecidos. Falarei do meu pacifismo estremecido e violentado, sairei, e logo voltarei para um novo dia velho, seja amanhã ou depois.



Ígor Andrade


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Um comentário:

SL disse...

Nossa... as vezes sinto como se fosse explodir. Mas moderadamente.
Vc eh um mundo!
beijos!