segunda-feira, 23 de março de 2015

Segunda de segunda


Tão confortável
quanto a morte

a tarde
se espreguiça
em silêncio.

Um adeus
sem deus

num paraíso alagado.

Um pedido
esquecido
e afogado.

Choveu!
Nem vi.

Que todo bocejo
não seja
enganado
pelo sono perdido.


Ígor Andrade

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quarta-feira, 18 de março de 2015

Calar sem procurar


Sempre que posso
observo a tarde.
Sempre que passo
sou tarde.

Quase nunca norte.
Muito do mesmo:
Morte.

Sempre que posso
absorvo a tarde.
E me encontro cedo.

Preciso viver mais.
Procura-se medo!


Ígor Andrade

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quarta-feira, 11 de março de 2015

Ritalina


Parei no tempo
hoje
só para não deixar o tempo me parar.
Só para perceber que é parando
que a gente segue em frente.

A dor, o sono, a fome
e eu dormente.

Tudo é caminhar!

A vida vai passar
antes que eu perceba.

E antes que eu perceba
muita gente vai passar também.

Sou o Zé Ninguém
que todo mundo acha que conhece,
que todo mundo sabe que não entende.

Quem me compra não me vende.

Sou objeto abstrato no surrealismo de uma tarde perdida.
Uma tarde fodida que me fode a cabeça.

E é meu juízo que conta.
É meu juízo que não me conta
o que quero descobrir.

Um dia paro de dormir.
Daí vou só sonhar.

Executar antes da execução é uma obsessão digna dos poetas pobres.


Ígor Andrade

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terça-feira, 10 de março de 2015

Às vezes


Às vezes me sinto como um relógio quebrado
que marca o tempo sem calcular a vida.

Ás vezes me sinto como um móvel usado
que mesmo quebrado sustenta umas coisas.

Ás vezes me sinto como um fim de tarde
quase acabado mas com uma certeza de amanhã.

Às vezes não me sinto direito
e fico escrevendo abobrinhas por aí.


Ígor Andrade

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