domingo, 25 de janeiro de 2015

Quem nasceu primeiro?


Acordei com um problema na cabeça.
Levantei com uma cabeça no problema.

O tema.
O lema.
A gema.
O ovo.
Não interessa.

Tudo que não faço me parece novo
e sem pressa.

Sou um homem perdido sem coração.

Queria coragem.
Só tenho visão.

Aflição
de afligir multidões.
Como esta rua vazia...

Tudo fazia
sentido
quando não sentia
o que sinto.

Se estou perto, minto.
Sou longe.

Sou um monge
sem deus.

Adeus, bela moça!

O problema não é você
nem eu.
Bela moça!
Nada se perdeu
mas alguém me encontrou.


Ígor Andrade

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domingo, 18 de janeiro de 2015

Ressaca sem (a)mar


O dia se arrasta.
O dia me afasta
de tudo que amo.
Eu não reclamo
e procuro passar com o dia.
Bem devagar.

Divagar
sobre a vaga
que perdi na faculdade de educação física.

A falta de nexo e química das relações humanas.

Não existe física na saudade.

Meu dia é confusão!

Os outros não vão
entender o que é o domingo pra mim.

O dia é assim:
quase noite.

Escureço!


Ígor Andrade

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Só por hoje e agora


Hoje está tudo diferente.
O dia que sabe de mim.
Esqueço quem sou por um minuto
e o tempo não tem fim.

A caminhada continua.
Ninguém na frente de ninguém.
Peguei o trem para outro mundo.
Outro mudo que não escuta.
A vida é uma permuta de silêncios.

Não quero saber
de quem não quer saber
do que sei.

Nunca esquecerei do que não fui.

Hoje bem cedo acordei
com uma certeza
e nenhuma dúvida:
preciso de algo mais.

Tudo faz.
Tanto faz.

Eu quero aquela bruxa
que era meu sonho de consumo
da minha adolescência.


Ígor Andrade

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