sábado, 16 de agosto de 2014

Escrevi hoje mas deleto amanhã


O amor mora
em todo sujeito
sem jeito.
De peito
aberto.
Tudo perto.
Passo longe.

O amor é aonde
sem ainda.
A ida.
Coisa linda!
Sem volta.
Se não prende
solta.

Uma dança estranha.
Sem graça.
Se não é presa
é caça.

Pé de valsa quebrado
na esquina.
O amor é a cocaína
do pobre.

O amor vive na pausa
e descobre
que cada coisa
não tem causa.
E nem tem casa.

(Meu amor tem asa,
mas não voa!)

Vou pra rua... à toa...

Porque o amor mata.
Se não mata,
maltrata.
E faz a gente desistir de amar.
Amor nenhum tem lugar
mas tem tempo.

Tem tempo...

(...)
O amor não é
coisa moderna.
O amor não é
Roma Antiga.


Ígor Andrade

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Diário não diário


As primeiras horas do dia começaram à tarde. E eu acordei. Reconheço que sou um sujeito nada cedo. Abri um olho de cada vez. Hoje não tive medo (da morte) e nem fome. Sobrenome: Não sei direito o que sentir. Não vou mentir (porque nunca minto) e muito menos medir, o que não se mede - o que não se mente. Hoje o dia, já no meio, parece que não vai acabar (porque nunca acaba). Moro perto do mar. No meio de gente mal educada. Gente que acha que não sirvo pra nada, e morre de medo da minha barba de mendigo. Faço pouco pelo mundo, mas digo... tudo o que sinto. Não me sinto bem. Também não me sinto mal. Sinto uma coisa que não se explica. Mas o sorriso de minha mãe descomplica até as equações mais obscuras da NASA. Minha mãe deveria estar sempre em casa... quando acordo. E eu acordo só pra saber de onde venho. De onde veio... minha poesia. Para aonde vou nunca importa. Nem a porta que se fecha quando abro a janela. A vida pode ser bela, quando se conhece a verdade de que cada dia é o último. E isso não é pessimismo. Nem eufemismo. Determinismo é para os fracos. E cada ser humano só precisa sobreviver. O resto é uma piada contada por um velho gago que só fala inglês. Um dia de cada vez... sem confundir as horas aleijadas pelo desânimo. Insatisfação não é saturação. E eu sei disso, enquanto não sei de droga alguma. Ansiolítico é outro papo. Engolir sapo é uma profissão de carreira internacional. E ninguém me interna. O que os outros sabem de mim? Por que não nasci numa família italiana? Quanto realmente vale o seu trabalho? Engordamos na tristeza ou entristecemos com a gordura? O que significa sobriedade para uma criança surda? Tenho perguntas demais. Eu nunca cresci.
...
Pensei que nunca mais escreveria, mesmo escrevendo todos os dias...


Ígor Andrade

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