terça-feira, 8 de outubro de 2013

Tumulto


Ao acordar, a vista de um objeto evoca uma sensação desconfortante. Instante em que não se sabe quem dorme de fato. A pedra no sapato do sonho. Eu durmo enfadonho. Deito na estante; prateleira última. Ninguém me alcança. Anterior a isso: o interior dos outros. Vejo pouco. Sinto muito. Sou míope. Avisto o objeto de longe-tão perto. Parto a cara de espanto na porta. Lembro da menina morta. E lembro que só pago à vista o que não preciso. Não sou indeciso, mas sinto fome toda hora. Acordar é estranho. Agora é escrever. Prato frio enche a barriga do mesmo jeito. Prato quente come quem quer. Todo homem precisa de café. Minha xícara está vazia.


Ígor Andrade

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Survival


Visão clara se faz
no tempo escuro sem paz.

Aqui jaz
a alma do poeta.

A vida não é um equilíbrio regulado.
Dou um tiro pra cima.
Cai um sujeito do meu lado.

Não sou forte.
Vivo em Marte.

Predicado preparando uma defesa firme
para todo ataque desnecessário.
Minha guerra ninguém entende.

Têmporas inflamadas.
Punho cerrados
que não valem nada.


Ígor Andrade

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