quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Como sempre

Amanhã será um novo dia
de um velho tempo
do último eu.


Ígor Andrade

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" Em suma "

Minha vida

se resume
em estados alheios

já vividos e mortos

entre o eu lírico
e o indagador tu

" déjà vu ".


Ígor Andrade

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domingo, 27 de janeiro de 2008

E se tu...
certo alguém,
dissesse
que não tenho sorte
que ando sem direção
que meu sul é norte
que me assombra o medo
e sou de longe forte.
Negaria esse alguém
vós dissésseis morte.


Ígor Andrade


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Quem sabe

Nem sei porque tanto espero... quem não vem.
Faço coisas que também eu quero
e nem sei se vou tão bem.

Um dia ela chega aqui.
Uma noite,
a encontro por lá.

O que me espanta
não é a dor.
É a forma de chegar.


Ígor Andrade

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[Estou triste e não sei]

ESTOU TRISTE e não sei
O que me desola...
Ler... perder-me... Achar
Dentro de mim
Só a ciência consola.


Fernando Pessoa

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domingo, 20 de janeiro de 2008

Chove forte!
.. e aqui dentro...
o calor aumenta.
Gotas que pesam toneladas,
nessa noite escura imóvel.
Venta vento que não venta.

Na cortina incolor
que vai daqui até lá na frente.
Cobre a rua.
Cobre a dor.
Esconde um sofrimento,
um lento entendimento.
Brisa ausente.

Registro as imagens
assim como guardo mal palavras ditas.
Chove lágrimas de chuva.
Escorre a madrugada
das almas contidas.

Bem-vinda
ou adeus,
pancada atemporal.
Neblina das vidas.


Ígor Andrade

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terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Eu vivo no paraíso de Morfeu.
Ninguém vive o que é meu.

Nada se realiza,
mas faço o que quiser.
Vive tanto eu.

Quando não quero, esqueço.
Quando não acordo, eu durmo.
Tanto sonho se perdeu.

Eu vivo numa caverna.
Quente, úmida.
E daqui só saio quando chover.
Molhar a alma minha
e o corpo teu... viver.

O sol já brilha todo dia mesmo,
sem saber.

Eu vivo bem pra mim
e mal sei o que dizer.

Eu vivo, e vivendo
vive assim.
Ser.


Ígor Andrade

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Se tudo fosse visto como eu vejo,
de certa forma
e às vezes...
desordenado e bem simples.
Seria entediante, mas teria sentido.
Seria tudo o que é,
sempre e de vez em quando.

Ígor Andrade

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sábado, 12 de janeiro de 2008

É um espelho
e dentro da mente.
Algo que lembre tudo.
Quanto existe
ou...
possa existir.
O que já vi
O que ainda vou sentir
O que vivo a cada noite.
Olho pra ti e vejo todas as coisas
ao mesmo tempo,
separando meus limites
e unindo nosso fim.
Conheço meu mundo
me vendo nos seus olhos.


Ígor Andrade

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Poesia de Concreto.

De cada calçada de concreto da cidade
cada viga que se ergue
cada vida que se segue
cada cidadão persegue a sua cota lutando pra se manter...
marcando a mesma rota, lutando pra nunca se perder...
pra não perder, não ver a cara da derrota estampada na lorota
que faz ponto a cada esquina encostada em algum poste,
pronta pra te desviar da sorte,
talvez um corte brusco na sua sina.
Existem uns que seguem na rotina e não enxergam ao redor,
reclama e não se coçam pra tornar melhor
acha melhor sobreviver só mantendo distância
de cada sonho que crescia na infância
e cada esperança de criança se mistura ao ar impuro inspirado e espirado,
por cada cidadão comum que deixa escorrer a liberdade
na sarjeta da calçada de concreto da cidade.

[Refrão:]
Dedicada, a cada, poeta da cidade,
dedicada, a cada, atleta da cidade,
dedicada a cada ser humano da cidade que cultiva a liberdade no concreto da cidade

Entre as paredes de concreto da cidade, se esconde o mundo,
de quem faz qualquer negócio só pra não ser taxado de vagabundo.
Sonhos de adultos se dissipam por segundo a cada insulto do patrão.
É o culto do faz de conta que eu sou feliz assim,
salário no fim do mês é o que conta, paga as contas e faz bem pra mim.
Não é o caso em que eu me encaixo,
sonho alto de mais pra viver por baixo igual capacho,
e acho que existem outros por aí...
que olham pras paredes só pensando em demolir,
pra ser livre, mas na real nem sabe como...
perdeu toda noção acostumado a viver com dono.
Não condeno, mas não concordo e não me adapto...
fora das paredes mais inspiração eu capto.
Me sinto apto, pra cantar a liberdade
que se esconde entre as paredes de concreto da cidade.

[Refrão:]

Algum teto de concreto da cidade, abriga o restante
da liberdade semelhante a que escorreu pela sargeta da calçada,
se escondeu entre as paredes ou partiu pra outra...
morreu de fome, de frio, de sede...
pois sem abrigo não há, pra onde voltar,
pra poder descansar e pensar
na estratégia pra continuar lutando pra manter a liberdade que se tem...
as adversidades não se sabe...
de onde elas vem, que cara elas tem
pelas mãos de quem vem, com ordem de quem alguém me diz...
porque eu não posso ser feliz completamente
sem que alguém ou algo tente, tumultuar minha mente...
mas eu sigo em frente sempre,
vou nadando mesmo que seja contra a corrente...
pra que eu possa construir meu verso, meu abrigo, meu teto...
pra fazer minha versão da poesia de concreto.



Poesia de Concreto
Kamau


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Agnosticismo Superior

Foi-se do dogmatismo a dura lei
E o cristicismo não foi mais feliz.

-Nada sei - o agnóstico assim diz...

Eu menos, pois nem sei se nada sei.


Fernando Pessoa

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Racionais mc's


O que é, o que é?
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada...tem sabor de mar, pode ser discreta, inquilina da dor, morada
predileta....na calada ela vem, refém da vingança,
irmã do desespero, rival da esperança... pode ser
causada por "vermes e mundanas"... e o espinho da flor, cruel que vc ama...
amante do drama, vem pra minha cama, por querer, sem
me perguntar, me fez sofrer...e eu que me julguei forte... e eu que
me senti... serei um fraco, qdo outras delas virem.. se o "barato" é louco e o processo é lento... no
momento... deixa eu caminhar contra o vento... o que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável... o vento não, ele é suave, mas
é frio e implacável....(é quente) borrou a letra
triste do poeta (só) ..... correu no rosto pardo do profeta..."verme sai da reta"... a lágrima
de um homem vai cair... esse é o seu B.O. pra eternidade... diz que homem não chora..."ta" bom,
falou... não vai pra grupo irmão aí.... Jesus chorou!

[Racionais Mc's]

" Não importa o motivo, todo homem chora um dia. "

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EU TE TENHO E TE PERCO
CADA DIA QUE PASSA
EU TE GANHO DE NOVO
E AÍ PERDE A GRAÇA

TUDO PASSA
O MEU AMOR
TUDO PASSA

OS DIAS TODOS JUNTOS
SÃO DIAS APENAS
SÃO IGUAIS
NÃO ADIANTA O QUE FAÇA

TUDO PASSA
HÁ DE PASSAR
SEMPRE PASSA

NÃO EXISTE DOR QUE DURE
É QUE A MÁGOA DISFARÇA
RECORDAR FAZ PARTE
VOSSA BOA
FORTE RAÇA

ESTIMAMOS O SOFRIMENTO
NOS DEDICAMOS A UMA VIDA
UMA EXISTÊNCIA FALSA

O QUE PERMANECE
É VERDADEIRO
O QUE FOI ESQUECIDO
ERA FARSA.


ÍGOR ANDRADE

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O que faço eu sem rimas
e palavras tortas
sem gírias novas
e frases mortas.

Inexiste o sujeito
vocábulos e seus efeitos
sucumbi a transitividade suposta.

Fico sem objeto
perde-se meu predicativo
morre a construção literária
vai junto ao enterro meu livro.


Ígor Andrade

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domingo, 23 de dezembro de 2007

O "13" da sorte.

ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TMEPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!
ANTONÍMIA DE TEMPO BOM!

E o rei falou.

Eu vivo de sonhos
e os mesmos vivem em mim
fizemos um acordo
ora, a permanência, pois dita assim.

Eles não se vão quando levanto do sono
e eu não durmo quando sentado estou no trono.

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Meu anjo sem asas


O mundo que ela pinta

é o universo

que ninguém entende.

Mas ela sente... e segue assim.

Talvez um dia,


acabem seus quadros e tintas,

sem cores

seus pincéis

e amores...

E apesar disso

tudo que ela imagina


de você

ou de mim

é a bondade em ser simples...



simples assim...

Ela sabe demais

e muitos

tão menos


a interpretam como eu.

Vou pintar um caminho

com as cores que mais gosto,

vou fazer o que amo


e tudo que não posso.

Apenas viver

e esperar, dela,

mais obras

que falam comigo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

E numa manhã
o sorriso se vai
o instante e o impacto.

Perde-se a vida
perde-se no ato.

Sobram lembranças
Basta uma caminhada
longa e silenciosa
bate as asas, esperança.

O adeus resume um sinal
não importa o tamanho do passo
cortaram o mais lindo laço
a vida...
é uma rua fatal.


(Dedicada a sua perda Inês, que sua mãe descanse em paz.)
Ígor Andrade

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Eu assumo.
Sou um amante
do drama
de cenas tristes

Afinal,
tudo existe.

Há sempre...
quem ama
quem trama.

E talvez haverá,
alguém,
que ame o drama
como eu.


Ígor Andrade


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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O caminho. (Ticiano Renier )

O caminho que segue
na obra do pintor
sua alma numa tela pequena
outra eternidade de dor.

Não são os pincéis certos
e ainda sim, leio a cor.

Um baile de espirítos coloridos
o desejo de seguir o caminho
indefinível, o tempo
senhor ditador.

Ígor Andrade

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Raciona o bom senso
invertida diapasão
Quem sabe
Quem lembra
Quem disse que
bicho bruto não tem coração.


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Dia chato
sem humor
não termina
nem começa
eu com pressa?
controvérsia...
disputa mental
um horror!
Outro sujeito
sem causa, efeito
se tem direito
é anormal
faça o que for.


Ígor Andrade

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