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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

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Lacrimeja, olho, lacrimeja.
Porque o que a minha alma almeja
não tem fim.

Enquanto meu olho não cura
o meu dia mal dura
e tento afastar todos de mim.

Lacrimeja, olho, lacrimeja.
Que minha poesia toca o que quero.

Lacrimeja, olho, a lágrima que seja.
Embaça em mim a peleja
mas transpareça aquilo que espero.



Ígor Andrade

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Eu mataria

O limite da arte
não é a morte
é a sorte
de fazer arte
e continuar forte
quem sabe vivo.



Ígor Andrade









Auto-retrato matando Bento XVI
(clique no nome e conheça os trabalhos do artista)

obs: Sim, escolhi Ratzinger, o Papa, para representar o meu asco pelo catolicismo.
Escolha o seu alvo também, dentre tantos que ele executou em sua série Inimigos.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Da minha nobreza

Me preparo
para uma outra vida
que é a mesma
e não tem preparo.

Gosto de chamar assim
as minhas mudanças
de um novo passo.

Posso
e passo
meu todo inverno
inferno
descalço.

Me preparo
neste silêncio branco
de olhar transparente.

O próximo passo
não fica distante
e é sempre dentro
da mente.



Ígor Andrade

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Esta lua cheia


Esta lua cheia
é o lugar incomum
que não procuro
e me acho.



Ígor Andrade





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domingo, 12 de setembro de 2010

Hórus

Todo instante
que é
eu sou.

Tento agora
esvaziar minha cabeça
(enquanto minha vida
parece vazia).
Estou na sala de espera
a consulta está demorando
eu estou demorando
a minha existência está demorando.

Tanto instante por aí
que não é...

Como esvaziar a mente?
Como esvaziar a palavra?
Há tanto a ser dito
e eu prefiro escrever.
Digo assim em folhas
brancas e secas
um poema que é árvore
no meio do nada.

Por que tudo que tem de ser dito
é tão difícil?
Fui acostumado a não dizer.
Fui acostumado a me acostumar
com o não dizer.
Só que hoje digo
por libertação.

A palavra é liberdade presa
e minha mente não vai esvaziar nunca.

A voz de cada pessoa
nesta fria clínica
me incomoda.
O ar também frio
condicionado
me incomoda.
Esperar me incomoda.

Sou e estou inquieto.
Estado de alma
às vezes torto
às vezes reto.

Olho a atendente
olhos claros
azuis como o fundo do mar
(e eu nunca estive no fundo do mar)
azuis como o céu no fim de tarde
(e eu já estive em muito fim de tarde).
Não a invejo
a admiro
e sinto agora saudade
do meu amor.
Vejo o mundo com os olhos dela
às vezes.

Sinto a saudade
sinto a espera
e pareço não estar aqui.
Preciso de novos olhos
de novo o olho
e olho dentro
o que existe fora.

Todo instante
é tempo demais
e sou a espera hoje
do que não acaba
nunca.



Ígor Andrade

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Unir-se ao céu


















Eu olho para o horizonte
quando você olha o horizonte...
Sorrimos aos montes
e até agora não sei
para onde seguir.

Sentir
sem ti
a vida no verde
e o dia limpo
é diferente
e a vida me mente
você
em cada sonho diário.

Esse olhar é necessário
e não o deixo por nada.

Cada pessoa amada
não deveria ir tão cedo.
Eu assumo:
antes de dormir ainda sinto medo
de perder tudo isso
que é o pouco que tenho.

Tudo que eu tenho
é lembrança e amor
e me basta
(por hoje).

Devo lembrar
que seguir
já é saber
e eu sei que sigo
te lembrando.



Ígor Andrade

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Medida grandeza



























O sonho dela
era a montanha do impossível
onde cada sorriso mais puro
tinha uma medida de paz
que tocaria o céu.

Pois é
Samara não morreu
transcendeu toda vida
na imaginação dos que aqui ficaram.



Ígor Andrade

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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ainda Samara


























Agosto meio sem gosto
meio sem rosto
mês ruim.

Eu que tanto penso no começo
de tudo
agora tenho de pensar no fim.

Não gosto de me sentir assim:
desgraçado e ameaçado
pela morte alheia.

(Tento não pensar na minha...)

Agosto é o oposto
do aposto
e eu aposto
que ele passará.



Ígor Andrade

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terça-feira, 29 de junho de 2010

Mewly


Mel se foi
mas Mel ficou
em mim.

Sem a Mel
toda terça
ficará humana demais.



Ígor Andrade

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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Balanço bom


A rede
me rende
o verde
de um campo
de paz.




Ígor Andrade

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Crisântemo










Crio tanta coisa que não floresce
tanta coisa que não preciso
tanta coisa que dentro mata
tanta coisa...

No entanto
se cria só, naquele quintal
alheio à tudo
alheio à todos
um crisântemo.

Só percebo agora.
Sim, ele me olha
eu percebo
ele me percebe
e a hora me devora.
Que bonito!
A vida quer crescer...

Ah se essa pequena flor de ouro
esse pequeno sol nascente
não me fizesse lembrar
de uma vida longa e saudável
nesta terra cheirosa...
Nada teria graça
e este não seria o jardim
mais vivo que me encontrei.



Ígor Andrade

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Guitarra verde


Para Tito Lívio.



Não: a noite não precisa ser escura
e o som não precisa da voz.

(Qualquer outro contato
além disso
seria divino.)

A música salva
a alma
e o poema solidifica
o encontro.

Esqueço neste momento
do mundo sujo e alienado
que me dá preguiça.

Meu peito se enche de paz!

(A música veste o céu vivaz!)

Hoje ressuscitamos fantasmas
mais que isso
morremos e nascemos
mais que isso
viramos sombras
mais que isso
criamos a verdadeira consciência do que é estar vivo.



Ígor Andrade

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Recorrendo ao onírico

Tenho sonhado
constantemente
com um tigre branco
atacando as pessoas.

Talvez seja eu
personificando
um ódio qualquer
de sobrevivência
preso
em minhas linhas
largas e negras
imaginárias.



Ígor Andrade



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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Que tal

Aqui já fui gente grande.

Já construí edifícios
e não foi difícil.
Já joguei copa do mundo
em outro mundo.
Já criei um zoológico
sem lógica alguma.
Já lutei na guerra
e não vi morte.
Já desenvolvi fórmulas mágicas
que me curam ainda.
E já descobri teorias
que funcionam até hoje.

Aqui eu sou
hoje o menor possível
de tanta saudade deste quintal.



Ígor Andrade

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Avenida Beira-Mar


Na beira-mar
reaprendi a andar
(reaprendi a amar)
beiro a serenidade
no salgado cheiro do ar.

As pernas doem mais que o peito
e vejo muito mais além da minha miopia.

Meu estado
é um litoral calmo
de vida preservada
de ida e volta
alimentada por um desejo único
de conseguir.

As ondas que quebram perto
sou eu longe daqui.



Ígor Andrade

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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Vidas de Rejane


A barriga de Rejane
é vida
são vidas
vidas vivas que vivem dentro
que terão vozes
e ouvidos
e olhos
sentidos
e que trarão paz.

A barriga de Rejane
é um outro mundo
um novo mundo
que desde sempre
nasce
de um velho mundo
que ficou pra trás.

Ígor Andrade

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terça-feira, 3 de março de 2009

Caminho das Águas



Ensina-me
a esquecer este mundo
que eu te ensino

a caminhar sobre as águas.





Ígor Andrade


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sábado, 27 de dezembro de 2008

O que renasce

Claro como o tempo
numa tela de flores.

Mais que um olho.
Lugares.

Mais que olhares.
Amores.

E mais que tudo... tudo...

Um mundo
proibido e profundo
que outros não conseguem merecer
nem ter, nem ver.
Admirar é aprender esperar, é numa lágrima soluçar, e te ler.




Ígor Andrade

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terça-feira, 9 de setembro de 2008

Terça 09/09/08



Outro sol
em outra janela.
Não fosse outro
eu sei
outra
não seria ela.



Ígor Andrade

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terça-feira, 2 de setembro de 2008

Terça 02/09/08


Nesta terça nublada e sem realidade
sobre a égide do meu conformismo
realizo o meu exercício da dignidade
te oferecer o amanhecer sem lirismo.


Ígor Andrade


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