quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Um poema de ontem cedo ou o cedo ontem de um poema


Dormi mal.
Acordei incompetente.
Minha vida é um solvente
e o dia não tem sol.

Me sinto só
como sempre
e como sempre
não estou só.

Só isso já seria meu melhor escrito!

Tenho dito.
Tenho feito?

A vida não tem direito
de escrever por mim.
Preciso dormir
mais e melhor.

Ou quem sabe tomar algum remédio pra memória...

Tento lembrar dos pesadelos que tive.

Em vão.
Eles vão
acabar me matando.

E por falar nisso...
estou morrendo
desde que nasci;
desde que escrevi
meu primeiro poema
(de amor).

Não uso terno
e cada tema
de cada dia
tem seu louvor.

Pronto, assumi!
Mas não vou assumir
nenhuma religiosidade.
Não acredito em nada
que não possa me tocar.

Não vou sumir
enquanto não somar.
Não vou dormir
enquanto não sonhar.

Não sei levar desaforo pra casa.
E tudo que tem asa não é obrigado a voar.

Sou humano
demasiadamente humano
e vôo.
Porque aprendi a viver no céu.

Talvez meu papel
neste mundo
seja apenas duvidar
de quem duvida de mim.


Ígor Andrade

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5 comentários:

Simone Lima disse...

Você é muito bom no que faz!

.SL. disse...

Ainda e sempre, as mesmas palavras, o mesmo coração.

.SL. disse...

Ainda e sempre, o mesmo coração.

Marcelino disse...

A cada potagem vens te superando na arquiteturado poema: as construções que tu fazes vêm acompanhadas de um conteúdo que eu mesmo já considerei denmasiado subjetivo, mas que, ao fim e ao cabo, representa teu estil de ser poeta. Parabéns!

Marcelino disse...

O teclado não me ajudou a comentar teu texto: juntura de palavras, falta de letras... O que eu queria dizer é que a cada postagem o leitor observa um maturidade crescente no modo como arquitetas teus textos, o trabalho lúdico coma s palavras (solvente/sol;sumir/somar, entre outras construções). Apesar de considerar teus poemas muito carregados de subjetividade, sei que é esse teu estilo e o admiro.