domingo, 22 de fevereiro de 2015

Por isso escrevo


O tempo se arrasta.
O tempo me afasta
dos poucos que amo.

Por isso escrevo.

Por isso eu nego
e não devo
nada pro dia de amanhã.

Antes da manhã
a noite nunca é a mesma.
A lesma
sou eu
quando sei o que quero.
Não espero.
O que sinto não pára.

E sempre pareço outro cara
que não tem cara
para mentir sobre o que sente.

Estou cansado.
Estou ficando doente.
E não consigo dormir.
Acima de tudo
logo abaixo de todos
não sei fingir
fingimento.

Lamento
o que não lamento.

Um tormento lento

na minha cabeça
incomoda os fantasmas
de quem não conheço.

É preciso lembrar
que sempre esqueço
onde moro.
Quando não peço paz,
imploro
por uma madrugada justa.

Essa morte diária de toda noite me custa
muitas vidas...

E amanhã nasço de novo.
A galinha antes do ovo.
E tudo que é confusão.

Já não se fazem dores como antigamente!
Eu nunca morro em vão.

Antiga mente a minha
que sabia o que era vida.

Hoje a vida não tem vida
no orgulho dos cães cansados.


Ígor Andrade

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2 comentários:

Nadine Granad disse...

Sorte nossa que lê o que escreves!

.SL. disse...

O tempo afasta as pessoas, mas o seus sentimentos, permanecem.