segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O panteão da minha mente


O oceano da noite
é uma ponte
silenciosa e estranha.

Já não estou mais aqui.

Meus fantasmas caminham
no Jardim de Luxemburgo...
A morte encontra uma rosa
e pensa na vida
que não teve.

Ninguém sabe.
Eu já tive uma vida.
Já fui assassino e suicida.
Moro na rua dos esquecidos.

Nunca serei lembrado!

Não quero mais a guerra dos humanos.
Mas preciso da batalha dos escritores.

Muitos amores.
Muitas mentiras.
E ninguém me tira
da minha caverna.
Vivo num inverno que eu inventei.

Abençoada seja toda escuridão.

As sombras sobram
num sobrado de felinos moribundos.

O vazio e todo ódio
existe na pureza
do sorriso escasso.

Eu não posso.
Eu não passo.

A lágrima é uma meretriz.
Me leram em Paris
hoje.
E eu nem fiz
a barba.

Eu nunca quis
ir tão longe.


Ígor Andrade

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