quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Espacial não especial


O futuro me enche o saco
sempre antes de dormir.
Não posso fingir que sou
o que o outro pensa que quer.
Não quero essa vidinha
de planejar planos desse planeta.
Eu posso esquecer de tudo
ou tudo pode não me esquecer.
Não sei quem fui
e se fui já não sou mais.
O cão que corre atrás do próprio rabo.
O passarinho na gaiola do vizinho.
O rato morto na esquina da Costa Barros.
Não me interessa o deus da minha mãe.
Muito menos a doutrina militar do meu pai.
Eu apenas escrevo e não devo condomínio.
À noite eu morro e nem sei se quero acordar.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Rafaela G.B. disse...
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