segunda-feira, 22 de setembro de 2014

(Sub)consciente


"As minhas capacidades ou os meus talentos são muito limitados. Zero em ciências naturais; zero em matemática; zero em tudo quanto seja quantitativo. No entanto, o pouco que possuo e que se reduz a pouca coisa foi provavelmente muito intenso."   (Freud)


Hoje madrugo simples.

Sujeito homem
de peito aberto
e punho fechado.
Um pequeno alívio sentado
num banquinho quebrado de madeira.

O abismo. O escapismo. A beira
da saia de uma deusa que nunca toquei.
Acho que eu me lasquei 
de desejar o que não se deseja.

A noite beija
a foice da morte.

Não pensei muito.
E não falei pouco.
Talvez seja sorte.

Norte de barbudo
é uma madrugada ventilada.

Não sei de nada.
Mas sei de tudo.
Levei meu demônio para passear
e esqueci o bichinho no meio da rua:
mudo,
no meio da rua.

Tudo que o homem leva
dessa vidinha de merda
é a memória nua
e sem frescura
de uma boa companhia.

Quem diria...
Hoje conversei com Freud.
Hoje eu me fodi.


Ígor Andrade

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