domingo, 14 de setembro de 2014

Sem carona


O dia de hoje não teve graça
nem glória.
Não vi sorriso de ninguém.
Fico na janela do quarto
vendo o domingo passar.
Eu não passo bem.
Faço muito mal para minha pessoa.
Meu tempo não anda, nem voa.
Estou estacionado nos meus trinta e três anos.
Sou outro. Sem outra.
Cheguei num ponto que já não me importo mais...
Não consigo ver meu futuro.
Não quero olhar para trás.
Estou num presente
ausente.
Bolso vazio e cabeça doente.
Tudo é partida.
Não posso tocar minha vida
do jeito que eu quero.
Não posso tocar em qualquer vida
do jeito que deve ser.
Sou um fantasma moderno
que vive com medo de morrer
de novo
aos pouquinhos...
Sou um poeta covarde demais
para não escrever sobre si mesmo.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Marcelino disse...

Você faz a poesia da coragem,a que entrega, sem restrições,seu dono;escancara o autor, e faz pouco do binômio eu lírico X autor/escritor.