sábado, 27 de setembro de 2014

Saturdei


O sábado tem um sossego esquisito.
Cheiro de nada e tudo escrito.
Algo que não passa e nem morre.
Um velho acabado que não corre.

Sou sábado.
Mas quero ser domingo.

Dormindo
até meio dia.
Melodia
dos mais silenciosos poetas.

Eu prefiro as curvas.
Não gosto das linhas retas.

Metas:
não tenho.
Não fui e nem venho.
Mantenho
a ida.

Talvez o mais valioso da vida
seja o rascunho que ninguém consegue ler.
Sobreviver
ao paraíso inventado.
Morrer no inferno ou no inverno
deitado.

O sábado sabe
que não cabe
neste poema.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Marcelino disse...

Gostei do brasileiríssimo e irônico Saturdei. Drummond, afinal,já havia vaticinado que o mundo não cabe num poema. Você corrobora com o poeta mineiro. Muito bom.