domingo, 21 de setembro de 2014

Rua José Vilar


Uma e meia da manhã...

Um bêbado desce a rua
puxando o filho pelo braço,
falando besteira
e se batendo nas paredes.

A rua era calma.
E a vida ficou ridícula.
Calçada sem graça.
Esquina sem dono.

O tempo esqueceu de mim.
Ninguém me avisou que pode amanhecer.

O que é isso tudo?

Perdi a fome.
Mas sinto sede.
E sinto medo
de dormir.

Viver é isso aqui (?).

O bêbado volta.
A criança chorando,
toda suja...
O bêbado mais bêbado.
Caindo aos pedaços.
Não faço nada.
Não quero fazer nada.
Vejo a desgraça passar.

Não sei
e nunca vi
este sujeito.
Mas acho
que esta criança
sou eu.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Marcelino disse...

Colocar-se no lugar do outro é, ao fim e ao cabo, um belo exercício de poesia. Belo texto.