terça-feira, 9 de setembro de 2014

Quase quarta


É quase quarta
no meu quarto.
Tudo sou eu.
Ego sem eco
no inferno da solidão.
Hoje sim
mas ontem não
vi o tempo passar.
Como posso viver desse jeito?
Calor maldito na cara.
Dor no peito.
Tudo (não) passa
no que já é passado.
Tenho caminhado
com um peso medonho nos ombros.
Sinto a presença de alguém.
Nada e ninguém
é o que tenho.
Eu nunca fui
e nunca venho
sem poesia.
Passa a noite.
Passa o dia.
E eu só quero voltar pra casa.
Um pássaro sem asa
nunca sai do ninho.
É quase quarta
no meu quarto.


Ígor Andrade

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