sexta-feira, 26 de setembro de 2014

monstrum in fronte, monstrum in animo


Agonizo com saúde.
Isso é poesia.
Prazer!
Sem prazer.

Escrever é um ato sombrio
de liberdade.

Mas por que escrevo mesmo?

(Agonia é comum
e talvez eu seja
viciado nisso.)

Escrevo porque sou teimoso.
Insisto em viver uma vida que me mata.
Meu instinto quer tocar o sorriso de alguém.

Digo o que quero dizer
pra gente que não quer saber de mim.
Minha mulher nunca me leu
de fato.
Sobrou um retrato dela na sala.
Meu pai me acha um fracassado.
E não me restou um amigo
desde que fiquei pobre.
O povo não entende do que se trata a poesia.

Sou diferente,
estranho
ou comum demais.

Sinto paz quando assisto "Scarface" ou "O Poderoso Chefão".
O eterno diapasão entre sonho e realidade.

A vida fode a gente.
O poeta fode tudo.
Toda cabeça é vulnerável.
Conquistar é o lema da bandeira
dos conquistados.

Descobri que faço poemas
para espantar o calor de Fortaleza.
Não esqueça:
É do vazio que nasce a porra toda.


Ígor Andrade

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3 comentários:

Marcelino disse...

Muito bom esse teu texto, os palavrões viram poesia quando os arranjamos adequadamente, e vc faz isso muito bem. Pra descontrair: se vc passasse uma temporada em Teresina, sairiam uns trinta livros de dentro de tua cachola, rsrsrsrs.

Gustavo Assis disse...

Amém rapaz!

Gustavo Assis disse...
Este comentário foi removido pelo autor.