quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Café gelado e frio na mão


Passei algumas horas
pensando no que os outros fazem
para viver.
Para eu não morrer talvez
de tédio.
Pensar e observar as pessoas
é mais veneno que remédio.
E eu nem sei direito porque estou escrevendo isto.

Dormir cedo para acordar cedo
e passar o dia reclamando da vida.
Dormir pouco e ganhar muito
para morrer infeliz.
Acordar todo dia
sem tocar na cicatriz
do passado.

(Tenho passado mal.
Obrigado!)

Ando escrevendo pouco sobre o futuro...

A vida de repente nos meus olhos
me cega e não diz por quê.
Absorver
cada pequeno desejo
de apenas parar com tudo
e tentar sorrir.

Não quero dormir
hoje.

Eu acordo todo dia
com aquele peso medonho na cabeça.
E faz tempo que não ganho um abraço.
Seja lá de quem for.

O meu bolso furado desata o laço
de qualquer amizade.
Se não vai cedo
já foi tarde.
E é duro assumir isso.

Toda dor que sinto é um compromisso
e é diário
e dói.
Um abismo mental
que não tem fim.
Me tornei uma máquina de guerra
que não consegue chorar.
E é ruim
ser eu.

A vida me deu
pouca paciência...

Não entendo os outros.
Não me entendo nos outros.
Os outros me olham diferente.

Não quero sentir pânico de novo
mas também não quero o presente.
E agora?


Ígor Andrade

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