sexta-feira, 11 de abril de 2014

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Para o amigo-irmão-herói Magela Osterno.


Metade de mim
quer ser
como a metade de você.

Um homem do tempo
outro.
Sujeito sem tempo
certo.
Artista do tempo
próprio.

Sem ódio, orgulho ou ópio.
Viver para criar.

Todo ouvido quer caminhar
e você sabe disso.

Metade de mim
quer ser
como a metade de você.

Uma metade que esconde
metade da arte
embaixo da cama.
Um infeliz que ama
o som da vida.

Um filósofo magro e cansado
sem volta e sem ida,
que passa os dias encarando o escritório...

A música é o território
dos fortes silenciosos.

Metade de mim
quer ser
como a metade de você.
E ponto.

Estar sempre pronto
para acreditar
na esperança das melodias.


Ígor Andrade

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2 comentários:

Marcelino disse...

Música é o princío da poesia: com palavras trançadas no branco (que é o silêncio e o vazio) do papel, na forma como as trançamos tecemos melodias, bem humoradas ou melancólicas, críticas ou românticas, nonsenses ou parnasianas, essas melodias de verbo é que dão o tom de nossos dias. A segunda estrofe de teu prova isso.

Marcelino disse...

Pensei já ter havido comentado este texto,mas vá lá... Vc é exímio poeta de textos curtos, mais condensados, filiados aos haicais; mas quando decide estender-se no papel faz melhor ainda. Teu amigo-irmão deve ter copiado esse texto e posto em moldura pra olhar sempre: é uma magnífica declaração de amor, do amor que admira, do amor que compreende, do amor que adivinha. Parabéns, poeta.