segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Porque a segunda é bem chata sem ela


Nem tudo que vejo é verdade.
Nem o pouco que sei é mentira.
O ouvido sabe quando o olho vira
e todo sentido versa o inverso da gente.

O mundo é o que o homem sente.
Mas, amando, é a mulher que constrói.
Tudo que é poesia nasce do útero e dói.
A alma rói
o que o rato não quer.

O prato vazio esquece a colher.
E o último a fechar a janela
que se lembre da luz.

O que me reduz
me enobrece.

E se eu soubesse
descrever minha saudade
certamente seria um sujeito pior.

Saudade é o melhor
que temos.

O que não vemos
é o silêncio do outro.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Marcelino disse...

"tudo que é poesia nasce do útero e dói" Que bonito isso, cara. Essa imagem, essa metáfora do potencial criador de um artista a partir do símbolo feminino da criação fixou fantástico. Achei fascinante e realmente dói, dá trabalho, faz suar. É isso: a poesia faz suar como um parto trabalhoso.