terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O colecionador de facas


Meu bolso vazio
é uma oficina
que perdeu o martelo
pro fantasma de um desocupado.

Tudo que penso parece confuso
e eu não ligo pro que é pecado.

Todo poema passado
é uma roupa velha
que não consigo jogar fora.

Não consigo jogar bola
porque minhas calças afrouxaram.
Mas eu não emagreci.

Hoje mesmo eu nasci
sob a égide da comilança.

Encher a barriga cansa
a cabeça.

E pra que eu nunca esqueça
que quero o que não posso pagar...
planejo, desenho e construo
coisas que não consigo usar.

Há sempre um tipo de pobreza
que me torna um homem melhor.


Ígor Andrade

_______________________________________________________________________________

Um comentário:

NãoSouEuéaOutra disse...

mais um Poema bem escrito. inspiração não lhe falta e a forma como escreve baseando-se nas coisas normais da vida, fá-lo de forma curiosa.
na imaginação tudo se pode, quem não tem asas, que as invente.

abrç