terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Alca(teia)


Esta noite sonhei
que era um lobo
perdido na chuva.

Procurava comida
mas, claro, só encontrava água.

Desconhecia minha matilha
mas também não estava sozinho.

Esta noite sonhei
que era um lobo
que não sabia caçar
mas tinha aprendido a uivar muito cedo.


Ígor Andrade

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2 comentários:

Marcelino disse...

Igor, este texto representa, pra mim, um exercício poético a que tu deverias te dedicar mais vezes: há nele, claro, a inelutável primeira pessoa que transita, marca e caracteriza acho que 90% ou mais dos textos que produzes, mas o fato de te entregares a uma metamorfose, vivenciando outra vida -aqui a de um lobo- dá um tom especial ao poema e faz dele um dos mais bem construídos que já li na tua página. Continua, pois, a sonhar mais com outras vidas, com sentimentos alheios, ainda que reflitam os teus: uma velhinha sem óculos sob torrencial tempestade, uma criança correndo num canavial, um bêbado conversando com almas numa mesa de bar... Há muito a ser vivido e escrito.

Ígor Andrade disse...

Estou tentando, meu amigo, estou tentando...