terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Do apêndice xifoide até o umbigo


Minha humanidade anda bagunçada. Acho que estou ficando velho (da forma errada). Às vezes até acordo com alguma esperança. O que não me pertence me alcança. Rima imbecil! Continuo sem entender as esquinas. Continuo a escrever para as janelas... do tempo. Portas fechadas que não se abrem...
Nunca tive uma percepção tão aguda de que a vida é curta. Todo pensamento é longo. O silêncio não tem medida. Me arrependo de ter feito mal para as pessoas que amei. Eu não sei o que é amor. Sinto a dor que meu avô sentia, antes de morrer. Não conseguir dizer o que quer é o pior de viver. Saber crescer. Somos a vida que não teremos. Nos esquecemos de calar os calos. Caos medonho de sempre. Ralos entupidos de ódio e rancor. Prefiro os animais. Nós deveríamos morrer antes de nossos cães. Nossas mães são as melhores amigas. Eu não dou a mínima pro natal. Muita luz me faz mal. Tanta coisa não me diz nada. Nunca ganhei uma espada de samurai. Só quero mesmo é aperfeiçoar meu inglês para aprender mais sobre técnicas de sobrevivência na selva. Talvez eu abomine essa sociedade. Talvez more num deserto um dia. Preciso alimentar meus peixes. Talvez não consiga dormir direito esta noite.


Ígor Andrade

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3 comentários:

mARa disse...

muito bom! gostei.

abço

Marcelino disse...

Adorei o texto, Igor, aliás, como todos os que tu escreves com essa já característica dor de viver a poesia: a aparente -só aparente- acoplagem de frases se desfaz quando se observa a coerência poética ligando orações simples, assindéticas, em um texto coeso e denso.
Agora esse título tá me tirando do sério, não fui pesquisar, pois considerei ser mais proveitoso esperar tua resposta ao comentário. Alguém poderia dizer "Ah, mas se entendeste o texto, qual a importância do título?" Sim, é uma pergunta plausível, mas tenho comigo a ideia de q, se o poeta colocou um título em sua obra é pq ele quer nos dizer algo.
Aguardo tua resposta.
2014 alegrias em 2014.
Abraços.

Ígor Andrade disse...

Aí perde a graça, meu camarada. Olha teu email, mah. rs
Abraço!
2014 é nosso, meu amigo!