sábado, 16 de novembro de 2013

Resignação a maldade


Para o amigo Diego Moraes.


Acho que me entendo melhor quando durmo mal.

Sei lá!
Parece que nunca durmo bem.
Mas o dia vem
assim mesmo.

Se o dia é quente
invento preguiça.
Se o dia é frio
(coisa rara no Nordeste)
invento desculpa.

Hoje parece o inferno.
Ando cozinhando poesia
pro diabo digerir.

Não posso fugir
das minhas mãos...

E meus olhos batizam qualquer lacuna.

A vida é dura
para quem não enxerga.
O resto é ciúme do tempo.

Tempo
este coiso
que acaba
e não tem fim.

Enquanto isso analiso minha armadura
que já não é a mesma.
A morte não me preocupa mais.

Me sinto capaz
de sumir.

Aprendi a observar
só depois de absorver.
Acho que isso é crescer.

Meu sobrenome depende da minha sobrevivência.
Minha descendência de analfabetos funcionais.
Meu pé esquerdo fora da cama me condena.
Quem me ama
além do travesseiro?

A arte de dormir escrevendo...

Tudo se fraciona
quando minha paciência não lembra
do estômago vazio.

Sou um vadio
a vagar por solidões.


Ígor Andrade

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2 comentários:

Marcelino disse...

Qdo o poeta se vincula a seu lugar (como tu o fazes no nono verso), o poema ganha um sabor bem especial.

Fabio Rocha disse...

Boas Festas, meu amigo. Poemaço!