quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Faz tempo


Para o amigo-irmão-mestre Fabio Rocha.


Faz tempo que não escrevo.
Não sei se isso é bom ou ruim.
Nem sei também o que significa não escrever
enquanto só penso em poesia.

Hoje eu ia
caminhar sem rumo
mas machuquei o meu joelho.

Outro dia quis escrever
mas desisti.
Outro dia desisti
e não quis escrever.

Às vezes me confundo
porque não sei entender o que sinto.
Às vezes confundo o outro
porque não sei expressar o que não se sente.

O dia mente.
O dia e a mente.

Acho que não entendo a vida.
Ou pelo menos não entendo
como os os outros vivem.
A vida de certo é isso:
Aquilo que não deveria me interessar.

Eu não deveria ser teimoso.
Raivoso talvez.
Reimoso nunca.

Observo um e outro indo trabalhar
(naquilo que escolheu, depois de uma faculdade
que tanto almejou).
Observo um e outro voltando pra casa
deprimido, desanimado com os sonhos.

Acho que os sonhos modernos não se realizam.
Esse mundo novo me causa angústia.

A verdade é que o sujeito nasce rei
e sempre morre bobo da corte.
Emburrecemos com o tempo.
Esquecemos o sentido
de não ter sentido tudo que criamos.
Criamos pouco.
O louco é aquele que cala janelas.
E eu não sei mais o que escrever.


Ígor Andrade

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5 comentários:

Fabio Rocha disse...

Eu também fiquei sem saber o que escrever... Exceto obrigado. Abração

Luiz Guilherme Libório Alves disse...

Teu maracatu pesando uma tonelada, irmão.

Ígor Andrade disse...

Meu irmão, tu sumiu.

Marcelino disse...

Depois de dizer "O louco é aquele que cala janelas", não precisa dizer mais nada: tem umas frases tuas, umas criações tuas, que são dignas de aparecer num compêndio poético. O texto todo vem num ritmo maravilhoso que poderia ser encerrado mesmo com esse verso em destaque: perfeito.

Ígor Andrade disse...

Marcelino, meu camarada, o livro está saindo...