terça-feira, 1 de outubro de 2013

Survival


Visão clara se faz
no tempo escuro sem paz.

Aqui jaz
a alma do poeta.

A vida não é um equilíbrio regulado.
Dou um tiro pra cima.
Cai um sujeito do meu lado.

Não sou forte.
Vivo em Marte.

Predicado preparando uma defesa firme
para todo ataque desnecessário.
Minha guerra ninguém entende.

Têmporas inflamadas.
Punho cerrados
que não valem nada.


Ígor Andrade

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Um comentário:

Marcelino disse...

As construções antitéticas (clara/escuro; jaz/alma; cima/lado) dão a tônica deste belo texto. A última estrofe concentra o espírito do poeta: os punhos podem não valer nada, mas estão cerrados, não relaxados, prontos pra nocautear.